Economia
Lula busca acordo com China para cota de carne e discute com ministros
O governo do Brasil está em tratativas com a China para encontrar uma saída para as restrições impostas pelo país asiático nas importações de carne bovina brasileira. Essas restrições, que começaram a valer no início de janeiro, afetaram as condições de acesso da carne ao principal mercado externo do setor brasileiro.
O assunto será apresentado no Comitê Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex), que é um grupo técnico formado por dez ministros. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) informou que a discussão e as decisões serão feitas por esse colegiado, em data ainda a ser marcada.
Em dezembro, o Ministério do Comércio da China anunciou uma tarifa extra de 55% sobre as compras de carne bovina que ultrapassarem as cotas anuais fixadas para cada país. Para o Brasil, a cota de 2026 foi estabelecida em cerca de 1,1 milhão de toneladas. O volume que exceder essa cota estará sujeito à sobretaxa, diminuindo a competitividade da carne brasileira.
A carne bovina congelada representa 10% das exportações brasileiras totais para a China (aproximadamente US$ 6,5 bilhões) em janeiro, quando a cota começou a valer. Apesar da restrição, as vendas do produto subiram 44,8% em relação à receita registrada no mesmo mês de 2025, segundo dados do MDIC.
Essa imposição levou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a intensificar o contato diplomático. O vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin conversou por telefone, em 28 de janeiro, com o vice-presidente da China, Han Zheng, e expressou preocupação com as medidas chinesas. As negociações entre os dois países continuam.
Segundo especialistas do governo, uma das alternativas em análise, caso a China não flexibilize as regras, é o Brasil tentar adquirir cotas de países que não utilizem todo o seu volume, como os Estados Unidos. Isso permitiria manter as exportações brasileiras sem pagar a sobretaxa sobre o excedente da cota chinesa. A princípio, essa medida seria avaliada como sem grande impacto nas vendas para a China.
Além disso, internamente, o governo considera ações para reduzir os efeitos da nova regra. Um alerta do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) apontou riscos de desorganização nos fluxos comerciais, queda nos preços e impactos negativos em empregos e renda na cadeia da pecuária, caso não haja coordenação nas exportações diante do limite imposto pela China.
A China é o principal mercado para a carne bovina brasileira, e essa mudança nas regras comerciais ocorre em um momento de alta dependência do país asiático. As negociações visam garantir a manutenção do acesso a esse mercado e minimizar os impactos da sobretaxa sobre o setor exportador do Brasil.

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