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Milei aprova reforma trabalhista no Senado durante protestos
Javier Milei, presidente da Argentina, conseguiu aprovar a reforma trabalhista no Senado durante a madrugada de quinta-feira (11). Após a aprovação, a proposta foi encaminhada para a análise da Câmara dos Deputados, em meio a protestos intensos na capital Buenos Aires, que culminaram em confrontos violentos entre manifestantes e forças policiais.
Com 42 votos favoráveis e 30 contrários, a reforma dará início a um debate entre os deputados, que ainda têm a possibilidade de modificar seu conteúdo. Os senadores continuaram a analisar minuciosamente os detalhes da nova legislação após sua aprovação.
Celebrando a conquista nas redes sociais, Milei classificou o momento como “histórico”, enquanto a manifestação deixou pelo menos duas pessoas feridas e dezenas detidas.
A proposta reduz compensações por demissão, restringe o direito à greve e permite pagamentos em dinheiro, além de permitir a divisão das férias em períodos menores. A Confederação Geral do Trabalho (CGT) critica essas alterações, considerando-as retrógradas.
Durante o debate no plenário, milhares de pessoas protestaram na praça próxima ao Congresso, no centro de Buenos Aires. Diversas organizações sociais, partidos e sindicatos expressaram sua insatisfação com cartazes e palavras de ordem contra a reforma.
O protesto escalou para violência quando alguns manifestantes lançaram pedras e coquetéis molotov contra as forças policiais, que responderam com gás lacrimogêneo, jatos d’água e balas de borracha. O som das explosões de bombas de gás era constante, e tanto manifestantes quanto policiais sofreram ferimentos.
Um dos manifestantes, Ernesto Pasarín, expressou que a repressão indicava a dificuldade do governo em conter a organização popular, alertando que a aprovação representaria uma condenação dos direitos atuais e futuros da população, pois, segundo ele, a reforma resultaria apenas em empregos mais precários.
Durante os confrontos, calçadas foram danificadas, e lixo foi incendiado na região, levando à intervenção das forças policiais e prisão de várias pessoas.
Federico Pereira, sociólogo e testemunha da repressão, afirmou que a reforma beneficia principalmente as classes favorecidas, em detrimento da maioria trabalhadora.
Controvérsias e Futuro da Reforma
A oposição e sindicatos destacam que a reforma não trará novos empregos, especialmente diante de uma economia estagnada e declínio no consumo e produção industrial.
O senador opositor José Mayans criticou a reforma, considerando-a regressiva e incapaz de impulsionar empregos ou investimentos enquanto o atual plano econômico vigorar.
Por outro lado, a senadora governista Patricia Bullrich, grande defensora da iniciativa, afirmou que a reforma visa simplificar as relações trabalhistas, promovendo um futuro digno para as novas gerações.
Segundo Bullrich, o modelo vigente falhou, e o novo projeto busca impulsionar o crescimento do setor privado, da produção e das empresas.
Para conseguir uma rápida aprovação, o governo negociou cerca de 30 modificações ao texto original, visando sancionar a lei antes de 1º de março, data prevista para a abertura do período legislativo por Milei.
Já a deputada peronista Julia Strada revelou que sua bancada tentará impedir a votação da reforma na Câmara, sem definir a estratégia a ser adotada.
Mesmo entre sindicatos, há divergências: alguns grupos mais radicais consideram a reação da CGT insuficiente e pedem uma greve.
Desde que Milei assumiu a presidência em dezembro de 2023, sua política de abertura econômica e redução do Estado provocou a perda de cerca de 300 mil empregos formais, impactando setores como construção, indústria e economias regionais.

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