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toffoli é sócio de empresa ligada a resort no paraná e vendeu participação a fundo do cunhado de vorcaro
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), confirmou em comunicado que é sócio da empresa Maridt, que comercializou parte de sua participação no resort Tayayá, localizado no Paraná, para um fundo controlado pelo cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Toffoli afirmou que declarou à Receita Federal os valores obtidos nessa transação e ressaltou nunca ter recebido dinheiro de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel.
A Maridt administrou o resort até fevereiro de 2025 e Toffoli é o relator das investigações relativas às supostas irregularidades na tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB. A Polícia Federal entregou ao presidente do STF, Edson Fachin, dados obtidos no celular de Vorcaro, nos quais há referências a Toffoli.
Fachin encaminhou o relatório a Toffoli para ele avaliar possível declaração de impedimento na relatoria do caso. Em sua nota, o ministro não abordou possibilidade de suspeição, ressaltando que assumiu a relatoria após a saída da Maridt do grupo Tayayá Ribeirão Claro.
Toffoli não detalhou os valores recebidos nas vendas, mas assegurou que todas as transações ocorreram a preços de mercado.
Segundo a nota, “O Ministro Dias Toffoli integra o quadro societário de uma empresa familiar administrada por seus parentes. Conforme o artigo 36 da Lei Complementar 35/1979, magistrados podem ser sócios e receber dividendos, sendo proibido apenas atuarem como gestores. A Maridt é sociedade anônima de capital fechado e administrada por familiares do ministro. Toffoli recebe dividendos sem exercer gestão, o que está dentro da legislação vigente.”
A empresa Maridt possuía ações do resort Tayayá, frequentado por Toffoli e seus amigos. Os irmãos do ministro, o engenheiro eletricista José Eugênio Dias Toffolli e o padre José Carlos Dias Toffoli, exerceram funções executivas na empresa quando ela adquiriu sua participação no resort.
Até 21 de fevereiro de 2025, a Maridt fez parte do grupo Tayayá Ribeirão Claro. A desmobilização da participação ocorreu em duas etapas: em 27 de setembro de 2021, parte das cotas foi vendida ao Fundo Arleen, gerido por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, e em 21 de fevereiro de 2025, a parcela remanescente foi vendida à PHD Holding. Todos os negócios foram feitos a valor de mercado, segundo a defesa.
O Fundo Arleen é administrado pela Reag, alvo também das investigações relacionadas ao Master. Em 2021, o fundo comprou metade das cotas do Tayayá por R$ 3,2 milhões.
Em entrevista recente, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, anunciou que as investigações sobre movimentações financeiras suspeitas entre o Master e o BRB estão próximas do fim, com previsão de conclusão até 16 de março, respeitando o prazo estipulado por Toffoli. Ele destacou que os trabalhos focam em não dispersar os elementos principais do inquérito, mas não descartarão quaisquer descobertas que surgirem durante o processo.
— Estamos preparando o relatório final e analisando todos os fatos apurados, mantendo o foco nas questões centrais — declarou Andrei.
O caso gerou desconforto no STF, com questionamentos sobre a imparcialidade do ministro, principalmente após revelações sobre a venda acionária no resort para um fundo ligado ao cunhado de Vorcaro e viagens do ministro acompanhadas por pessoas ligadas às investigações.

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