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Plano energético 2055: energia nuclear avança para 14 GW

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A energia nuclear ganhou mais destaque no planejamento governamental do Plano Energético Nacional 2055 (PNE 2055), cuja consulta pública foi iniciada na quinta-feira, 12, pelo Ministério de Minas e Energia (MME). Em alinhamento com metas climáticas, o governo aumentou a previsão de expansão da energia nuclear para 14 gigawatts (GW), superando os 8 a 10 GW previstos no PNE 2050.

“Pode-se observar que o planejador do governo sinaliza o uso de usinas nucleares para complementar a matriz energética, ampliando significativamente sua participação. O aumento de 8-10 GW para 14 GW é substancial, mas é fundamental avançar do planejamento para a execução”, afirmou ao Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) o presidente da Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Atividades Nucleares (Abdan), Celso Cunha.

“É necessário engajar o mercado neste desenvolvimento. Cada GW representa um investimento de US$ 5 bilhões, totalizando US$ 90 bilhões em potencial até 2055 com energia nuclear”, acrescentou. “Isso certamente estabilizará a matriz elétrica e favorecerá a expansão das fontes renováveis, evitando cortes de energia.”

Celso Cunha destacou que, mundialmente, a energia nuclear tem avançado, citando a Alemanha, que mesmo após abandonar a fonte, enfrenta algumas das maiores tarifas de energia globalmente. Outros países retomaram a construção de usinas nucleares. “A energia nuclear permitiu que a China desenvolvesse sua economia sem aumentar significativamente as emissões de gás carbônico”, explicou.

A nova proposta apresenta os pequenos reatores modulares (SMRs), que podem ser instalados com maior facilidade do que centrais nucleares tradicionais. Empresas como a Âmbar Energia, do grupo J&F, planejam investir nessa tecnologia, inclusive adquirindo participação na Eletronuclear.

Especialistas afirmam que SMRs podem ser instalados em locais isolados, como na Amazônia, substituindo geradores a diesel. Essa tecnologia emergente conta com cerca de 127 projetos globais em desenvolvimento, com apenas três unidades operando comercialmente na China e Rússia.

O PNE 2055 projeta que a capacidade instalada no Brasil poderá quintuplicar entre 2025 e 2055, com as fontes renováveis podendo representar até 88% da capacidade total instalada no país.

“Embora a participação relativa da energia hidráulica na matriz elétrica possa diminuir, a modernização e o aproveitamento de seu potencial estratégico, inclusive por meio de Usinas Hidrelétricas Reversíveis (UHR), poderão acrescentar até 72 GW de capacidade instalada até 2055”, informa o plano.

Além disso, o documento destaca a crescente importância das baterias para o gerenciamento dos excedentes de energia renovável e para garantir a potência e flexibilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN), contemplando baterias e UHRs.

O plano também aponta para um aumento significativo da demanda por minerais críticos e estratégicos necessários para impulsionar a eletromobilidade no Brasil, além do urânio usado nas usinas nucleares.

“O avanço da transformação mineral no país é essencial para agregar valor a motores elétricos, baterias e equipamentos de geração renovável, contribuindo para uma transição energética mais justa e inclusiva”, conclui o PNE 2055.

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