Economia
Vale registra prejuízo de US$ 3,8 bi no último trimestre de 2025 por processo da Samarco
A mineradora Vale registrou um prejuízo de US$ 3,8 bilhões no quarto trimestre de 2025, impactada por uma provisão de US$ 449 milhões relacionada às possíveis perdas no julgamento da Samarco pelo desastre de Mariana, no Reino Unido, além de uma desvalorização contábil de US$ 3,5 bilhões em sua operação de níquel no Canadá.
Em Londres, as vítimas do desastre moveram uma ação judicial arguindo que os processos no Brasil foram insuficientes, buscando uma indenização de 36 bilhões de libras (aproximadamente R$ 260 bilhões na cotação atual) por danos.
Esses custos pressionaram o lucro líquido da Vale, que caiu 62% em 2025, somando US$ 2,35 bilhões, contra US$ 6,16 bilhões em 2024.
No entanto, excluindo estes eventos especiais, a mineradora obteve um lucro proforma de US$ 7,796 bilhões em 2025, um aumento de 28% em relação a 2024, quando teve lucro de US$ 6,1 bilhões.
Segundo o balanço divulgado, a baixa contábil no braço canadense ocorreu devido à revisão para baixo das expectativas de preço futuro do níquel, com base em estimativas de mercado.
No quarto trimestre de 2025, o lucro líquido proforma cresceu 68%, atingindo US$ 1,46 bilhão.
Durante o ano, a venda de minério de ferro subiu 3%, a 8 milhões de toneladas, enquanto o cobre teve alta de 12%, chegando a 41 mil toneladas. As vendas de níquel também aumentaram 11%, alcançando 18 mil toneladas.
A receita líquida consolidada foi de US$ 38,4 bilhões, 1% superior ao ano anterior. No último trimestre, houve crescimento de 11%, alcançando US$ 11,06 bilhões. A geração de caixa ajustada pelo EBITDA avançou 3%, totalizando US$ 15,869 bilhões. A mineradora atingiu níveis recordes de produção de minério de ferro e cobre desde 2018.
Os preços médios dos minerais também subiram em 2025: minério de ferro teve alta de 3%, a US$ 95,40 por tonelada, o cobre subiu 20%, para US$ 11.003 por tonelada, enquanto o níquel recuou 7%, negociado a US$ 15.015 por tonelada.
A Vale anunciou o pagamento de US$ 1,8 bilhão em dividendos e juros sobre capital próprio programados para o próximo mês.
No ano passado, a mineradora investiu US$ 5,5 bilhões, e sua dívida líquida aumentou para US$ 15,6 bilhões.
Com o interesse dos investidores estrangeiros por ações de grandes empresas de economias emergentes, as ações da Vale alcançaram recorde histórico em R$ 90,09 na quarta-feira, embora tenham fechado em queda de 0,95% nesta quinta-feira, a R$ 89,23.

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