Brasil
Quantidade excessiva de cloro na piscina onde aluna ficou mal
Funcionários da academia C4 Gym relataram que a piscina onde a aluna Juliana Bassetto, 27 anos, passou mal no último sábado, 7, recebia diariamente uma carga de cloro recomendada para uma semana.
O delegado Alexandre Bento, responsável pelas investigações, afirmou ao Estadão: “Os funcionários mencionaram que utilizam quase 10 quilos de cloro por dia. Entretanto, ainda não temos dados oficiais sobre a quantidade exata. Segundo o rótulo do produto, essa quantidade seria para uso semanal em uma piscina desse porte”.
Juliana sentiu-se mal ainda durante a aula de natação, foi socorrida no local e levada ao hospital, onde infelizmente veio a falecer. Outras cinco pessoas que utilizaram a piscina no mesmo dia também foram hospitalizadas, levantando a suspeita de intoxicação causada pelo excesso de cloro na água.
As apurações apontam que o responsável pela manipulação do cloro era Severino Silva, ajudante-geral sem formação adequada que acumulava a função de manobrista na academia. Ele declarou à polícia que recebia orientações via mensagens dos sócios da academia.
A defesa de Severino informa que ele está colaborando com as investigações e é considerado testemunha, sem indiciamento. A academia C4 Gym alegou que um dos sócios possui qualificação para manutenção da piscina e já apresentou o certificado como prova.
Devido ao ocorrido, a Polícia Civil indiciou os sócios da academia e solicitou a prisão temporária de Cesar Bertolo Cruz, Celso Bertolo Cruz e Cezar Miquelof Terração pelo crime de homicídio doloso eventual, quando há assunção de risco de causar a morte. O Tribunal de Justiça de São Paulo negou o pedido, permitindo que os sócios respondam ao processo em liberdade com medidas cautelares.
Segundo a polícia, os sócios teriam priorizado o lucro ao permitir que uma pessoa não qualificada cuidasse da piscina e tentaram eliminar os vestígios do incidente ao dispersar os gases logo após Juliana ser levada ao hospital.
A defesa dos responsáveis pela academia afirmou que, assim que alunos relataram cheiro forte na piscina, o local foi esvaziado imediatamente e as equipes de emergência foram acionadas. Ressaltou ainda que a opção pelo tratamento em hospital de Santo André partiu da própria Juliana e seus acompanhantes.
Foi esclarecido que a academia não foi abandonada, apenas fechada no horário normal de sábado (15h), e que os responsáveis permaneceram disponíveis para quaisquer esclarecimentos. O advogado da academia esteve presente e pediu para acompanhar as vistorias do Corpo de Bombeiros e da Polícia Civil, mas o pedido foi negado. A nota diz também que os sócios colaboraram integralmente com as autoridades.
Situação do marido da vítima
O marido de Juliana, Vinícius Oliveira, que também foi intoxicado pelo cloro, precisou ser internado em estado grave e foi submetido à entubação. Recentemente, ele apresentou melhoras significativas, deixou a entubação e já está interagindo.
Conforme informou o delegado Alexandre Bento, o pai de Vinícius comunicou sua melhora, inclusive que o jovem já está conversando. O delegado também confirmou a notícia do falecimento de Juliana.

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