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Navalny foi envenenado na prisão, diz investigação europeia
Alexei Navalny, um conhecido crítico do governo russo, faleceu em fevereiro de 2024 em condições suspeitas enquanto estava detido em uma prisão na Rússia. Uma recente investigação conjunta realizada por Reino Unido, Suécia, França, Países Baixos e Alemanha revelou neste sábado (14) que sua morte foi causada por envenenamento com uma substância tóxica rara.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido, esses países confirmaram, através de uma análise detalhada de amostras do corpo de Navalny, que ele foi vítima de uma toxina letal usada pelo governo russo para silenciar sua oposição.
A toxicidade encontrada foi atribuída à epibatidina, uma substância presente na pele das rãs-dardo do Equador, que provavelmente foi a causa direta da morte de Navalny.
Navalny era um crítico incisivo do presidente russo, Vladimir Putin, e estava cumprindo uma sentença de 19 anos em uma colônia penal no Ártico quando faleceu.
O governo do Reino Unido, juntamente com os demais países envolvidos, declarou que apenas o Estado russo possuía os meios, o motivo e a oportunidade para realizar tal ataque químico contra Navalny. Essa responsabilização é clara em suas conclusões.
A esposa de Navalny, Yulia Navalnaya, havia declarado em setembro do ano passado que análises laboratoriais indicavam que seu marido foi envenenado, e ressaltou que agora essa acusação se tornou um fato estabelecido cientificamente.
A secretária de Estado para Relações Exteriores do Reino Unido, Yvette Cooper, ressaltou que a divulgação dessas informações serve para lançar luz sobre as ações repressivas do Kremlin que buscam silenciar vozes dissidentes.
Os cinco países afirmaram também que levaram o caso à Organização para a Proibição das Armas Químicas (OPAQ), expressando preocupação sobre a Rússia não ter destruído todas as suas armas químicas, o que representa grave violação da Convenção sobre Armas Químicas.
É importante destacar que Navalny já havia sido vítima de envenenamento anteriormente, em 2020, quando foi atacado com o agente nervoso Novichok durante uma campanha na Sibéria e posteriormente tratado na Alemanha.
Antes de sua prisão, Navalny mobilizou grandes protestos pelo país contra a corrupção e o regime vigente, tornando-se uma figura proeminente na oposição russa.

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