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Essência do Recife

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Gilberto Freyre desabafou: “O Recife, sim. Recife, não”.

“O Recife brasileiro, como a casa de meu avô”, expressou Manuel Bandeira. “O Recife da beleza católica dos rios”, conforme a obra de Joaquim Cardozo. “O Recife se escapa ao olhar do turista”, destacou Carlos Moreira. Caminhar pelas ruas do Recife é ouvir o tempo, como ressaltou o poeta Gustavo Krause.

Na obra Prosopopéa, de Bento Teixeira, escrita em 1601, está registrada a origem simples da cidade: “Um porto tão calmo e tão seguro que serve de muralha para o giro dos navios”. Esse muro cresceu. Transformou-se numa cidade de comerciantes que vendiam açúcar para as refinarias de Amsterdã. E se tornou capital de Pernambuco em 1827, para desgosto de Olinda, o reduto dos ricos daquele tempo.

Gilberto Freyre considerava o Recife uma cidade com características tanto rurais quanto urbanas, pois as suas atividades ligadas ao açúcar, típicas do campo, se espalhavam pelos armazéns do porto, junto ao mar.

Para comprovar, basta lembrar o cronista e compositor Antônio Maria, cuja família era proprietária da usina Cachoeira Lisa. Após a crise de 1929, ele mudou-se para o Recife, como muitos outros conterrâneos, e pôs fim à sua trajetória no Rio de Janeiro, de onde enviou para o Recife o Frevo nº 1, declarando: “Sou do Recife, com orgulho e com saudade”.

Em sua visita ao Recife nos anos 1950, o escritor Albert Camus afirmou: “Esta cidade é a Florença dos trópicos”. No mesmo período, o filósofo Alceu de Amoroso Lima publicou no jornal carioca A Tribuna, em 23 de março de 1957: “O encanto do Recife é formado por contradições: terra e mar, aristocracia e democracia, finesse e bravura, graça florentina e violência sertaneja, riqueza e pobreza”.

Ambos, o escritor franco-argelino vencedor do Prêmio Nobel e o filósofo brasileiro, demonstram igual sentimento estético e cultural sobre o Recife. Florença é uma obra de arte barroca profana com aroma mediterrâneo; o Recife é uma cidade de religiosidade barroca com cheiro tropical. São odores diversos, mas manifestações culturais semelhantes.

Na extensa arte que embeleza o Recife, destaco especialmente o Marco Zero, símbolo fundador que congrega artistas como Cícero Dias, Francisco Brennand e Naná Vasconcelos, além dos turistas e do povo festeiro do Recife, sempre diante do mar, protegido pela arquitetura natural de calcário. Francisco Brennand descreveu as esculturas ali presentes: “Coluna de Cristal, homens vindos das cidades alcançaram as florestas do mundo. Nada melhor que uma coluna com uma flor em forma de elipse, chamada Cristal, para simbolizar esse encontro. Os conquistadores viram a Árvore da Vida, catedral de folhas guardando em seu centro o OVO resplandecente da eternidade”.

Nas margens do Capibaribe, localiza-se o Poço da Panela, um santuário ecológico onde, no século XVIII, segundo Evaldo Cabral de Mello, “tomavam-se os banhos mais saudáveis do país, e os arredores eram agradáveis, com muitos frutos, pomares, melancias, melões e hortaliças”. Que essa beleza e equilíbrio se mantenham.

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