Brasil
Celular recuperado do esgoto ajuda polícia a esclarecer morte de corretora em GO
A Polícia Civil de Goiás divulgou nesta quinta-feira (19) um vídeo que mostra o momento em que a corretora de imóveis Daiane Alves Souza, 43 anos, foi atacada pelo síndico Cléber Rosa de Oliveira no subsolo do condomínio onde morava em Caldas Novas (GO). Ela foi morta com dois tiros na cabeça, conforme a investigação policial.
O vídeo foi gravado por Daiane. A filmagem foi recuperada de seu celular, que permaneceu 41 dias em uma caixa de esgoto do prédio. O aparelho foi encontrado em 30 de janeiro durante uma perícia no local.
A defesa do síndico ainda não foi localizada para comentários. Os advogados de Maicon Douglas de Oliveira, filho de Cléber e cujo envolvimento no crime foi descartado, afirmam que as provas confirmam a inocência de seu cliente e que o arquivamento das investigações contra ele era esperado.
No vídeo divulgado, Daiane aparece descendo o elevador do prédio para verificar no subsolo se o disjuntor do apartamento 402 estava desligado, após uma queda de energia. Ela comenta: “Cheguei na recepção. A Equatorial (empresa de energia) não veio cortar, claro, porque está pago. Agora, eu vou descer para ver se o disjuntor está desligado. Vou até o disjuntor do 402 e a gente vai filmar”.
Ela verifica alguns disjuntores e diz que o síndico estava no subsolo durante a gravação: “Vamos ver se essa brincadeira está continuando. O síndico está aqui embaixo, isso eu sei”. Pouco depois de checar o quadro de energia no apartamento 402, ela se vira e é surpreendida pelo síndico.
O delegado João Paulo Ferreira Mendes explicou a dinâmica do crime, afirmando que as imagens e evidências indicam que o assassinato foi planejado. “Desde o começo já é possível notar que ele (o síndico) esperava por Daiane no subsolo. Ele já estava com luvas, e o carro posicionado próximo ao almoxarifado”, disse. “Foi um homicídio premeditado, uma emboscada planejada, onde ele desligou o painel de energia para atrair Daiane ao subsolo, incapacitou-a, transportou a vítima e efetuou dois disparos de arma de fogo”, acrescentou o delegado.
Segundo o superintendente da Polícia Científica de Goiás, Ricardo Matos, o síndico utilizou uma pistola .380 semiautomática para matar Daiane. Uma das balas ficou alojada na cabeça e a outra saiu pelo olho esquerdo da vítima.
Cléber Rosa de Oliveira, que já estava preso, indicou à polícia o local onde o corpo da corretora foi encontrado. Ele e seu filho, Maicon Douglas de Oliveira, foram detidos em janeiro sob suspeita de envolvimento no homicídio. Na época, os advogados deles aguardavam acesso completo ao inquérito, à decisão judicial e à representação policial para decidir os próximos passos.
Mais tarde, a polícia descartou a participação de Maicon Douglas no crime. Em nota, os advogados Luiz Fernando Izidoro Monteiro e Silva e Daniel Gonçalves Santos Lima, que defendem Maicon, afirmam que o arquivamento das suspeitas, embora esperado e juridicamente correto, reforça a necessidade de reflexão pela sociedade: o Estado Democrático de Direito não admite julgamentos precipitados nem execração pública pelos “tribunais da internet”.
“O princípio constitucional da presunção de inocência deve ser regra, não exceção”, ressaltam os defensores.

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