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Estados Unidos e Irã buscam acordo rápido e Trump considera ação militar
O Irã declarou nesta sexta-feira (20) que deseja firmar um acordo breve com os Estados Unidos após o aviso do presidente Donald Trump, que não descarta um ataque militar limitado caso as negociações sobre o programa nuclear iraniano não avancem.
Após as conversas iniciais entre os dois países, Trump afirmou que dará a si mesmo entre 10 e 15 dias para decidir se é possível fechar um acordo ou recorrer à força.
Indagado por um jornalista sobre a possibilidade de um “ataque militar limitado”, o presidente respondeu: “Estou avaliando essa possibilidade”.
Abbas Araghchi, chefe da diplomacia iraniana, negou que haja um ultimato. Ele explicou que os iranianos discutem internamente como alcançar um acordo rápido, algo que interessa a ambos os lados.
O Irã espera que em troca as sanções que afetam sua economia há décadas sejam suspensas. Essas penalizações têm causado hiperinflação crônica e forte desvalorização da moeda nacional, o rial, fenômeno que intensificou as manifestações populares em dezembro.
Araghchi destacou que a suspensão rápida das sanções é benéfica para o Irã e disse que Teerã pretende apresentar em poucos dias uma proposta de acordo aos representantes americanos, entre eles, o emissário Steve Witkoff e o genro do presidente dos EUA, Jared Kushner.
Em Israel, aliado dos Estados Unidos e adversário do Irã, as forças armadas estão em estado de alerta, embora não tenham orientações diferentes para a população.
Em junho do ano passado, Israel atacou instalações iranianas, desencadeando um conflito de 12 dias com intervenções breves dos Estados Unidos em centros nucleares do Irã. Desde fevereiro, os dois países retomaram o diálogo, mas as tensões militares e verbais persistem.
Os Estados Unidos reforçaram sua presença naval e aérea na região, inicialmente em resposta à repressão das manifestações no Irã e depois para pressionar por um acordo.
O ponto central da disputa é o programa nuclear iraniano. Trump defende a proibição do enriquecimento de urânio pelo Irã, o que Teerã considera inaceitável. Porém, segundo Araghchi, os americanos não exigem o fim total do enriquecimento.
Antes dos ataques de junho, o Irã enriquecia urânio a 60%, muito acima do limite permitido de 3,67% no acordo nuclear de 2015, atualmente obsoleto. O urânio enriquecido a 90% pode ser usado para fabricar armas nucleares.
O Irã nega objetivo militar e afirma que seu programa nuclear é exclusivamente para fins civis, como geração de energia, em conformidade com o Tratado de Não Proliferação Nuclear, do qual é signatário.
Países ocidentais e Israel suspeitam que o Irã visa desenvolver armas nucleares. Trump afirmou que os ataques de junho desmantelaram o programa nuclear iraniano, porém a extensão dos danos não é clara.
Araghchi frisou que a meta agora é garantir que o programa nuclear do Irã, incluindo o enriquecimento de urânio, seja exclusivo para fins pacíficos e permaneça assim de forma permanente.

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