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Venezuela pede soltura de Maduro na ONU e cresce número de anistiados
A Venezuela solicitou nesta segunda-feira (23) a libertação imediata do presidente deposto Nicolás Maduro diante das Nações Unidas, enquanto continua a liberação de presos graças a uma anistia decretada pela líder interina, pressionada pelos Estados Unidos.
Maduro foi capturado pelos EUA em uma ação no dia 3 de janeiro, que envolveu ataques aéreos em Caracas e regiões próximas. Sua esposa, também detida, enfrenta julgamento por tráfico de drogas em Nova York, onde Maduro se declarou prisioneiro de guerra.
O ministro das Relações Exteriores, Yván Gil, pediu perante o Conselho de Direitos Humanos da ONU a libertação imediata do presidente constitucional da Venezuela e sua esposa, Cilia Flores.
Após o ataque dos EUA, Delcy Rodríguez assumiu o comando e melhorou as relações com o governo de Donald Trump.
Ela transferiu o controle da indústria do petróleo, iniciou um processo de soltura de presos políticos que culminou em uma anistia geral em 19 de fevereiro e ordenou o fechamento da prisão de Helicoide, denunciada por práticas de tortura.
O presidente do Parlamento, Jorge Rodríguez, informou que 1.500 pedidos de anistia foram feitos. A ONG Foro Penal afirmou que 65 pessoas foram libertadas nos últimos três dias, segundo relatório desta segunda-feira.
No entanto, a legislação foi considerada limitada por organizações de direitos humanos, pois não abrange casos militares, frequentes em Rodeo I, onde cerca de 200 detentos iniciaram greve de fome no fim de semana.
“Evitar responsabilidades”
Maduro governou com rigor entre 2013 e 2026, sendo investigado pelo Tribunal Penal Internacional por crimes contra a humanidade. Sua reeleição em 2024 foi contestada por denúncias de fraude.
O ministro das Relações Exteriores destacou que os direitos humanos não devem ser usados para guerras políticas ou terem caráter seletivo, pedindo o fim das sanções contra a Venezuela.
“A Venezuela é um estado comprometido com o fortalecimento das instituições”, acrescentou.
A ONG Foro Penal informou que 65 presos foram libertados sob a anistia, com números distribuídos entre sexta-feira, sábado e domingo, totalizando sete, quinze e quarenta e três presos, respectivamente.
Na prisão de Rodeo I, presos políticos manifestaram com gritos de liberdade e anunciaram greve de fome. O policial argentino Nahuel Agustín Gallo, acusado de terrorismo, também participou do protesto.
A mistura de alegria pelas liberdades concedidas e preocupação das famílias marcou o momento.
A Cruz Vermelha teve acesso a diversas penitenciárias pela primeira vez no domingo, incluindo Rodeo, para avaliar as condições dos detentos.
Jorge Rodríguez afirmou que cerca de 11 mil pessoas em liberdade condicional nos últimos 27 anos de chavismo passarão a ter liberdade plena.
O governo iniciou as obras para transformar a prisão de Helicoide em um centro social e esportivo para a polícia. Ativistas defendem que o local se torne um museu memorial.
De acordo com o ministro de Obras Públicas, Juan José Ramírez, os projetos de reforma foram aprovados rapidamente e já estão em andamento, após consulta à comunidade e estudos técnicos.

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