Economia
Azul muda controle após fim da recuperação judicial
Após finalizar seu processo de recuperação judicial nos Estados Unidos, a Azul deixou de ter David Neeleman como controlador e passou a operar como uma corporation, uma empresa com controle diversificado.
Na nova estrutura, as companhias americanas United Airlines e American Airlines devem se tornar acionistas principais, cada uma com 8% de participação, aguardando ainda a aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para a entrada da American na empresa.
David Neeleman, empresário brasileiro-americano e fundador da Azul, permanece como presidente do Conselho de Administração, cargo que compartilha com o CEO John Rodgerson, que também mantém sua função à frente da companhia.
John Rodgerson afirmou que a ausência de um controlador específico foi parte do acordo para garantir a proteção da Azul durante a reestruturação, não a de interesses individuais.
Durante quase nove meses de reestruturação, a Azul conseguiu reduzir significativamente sua alavancagem, diminuindo sua relação dívida líquida sobre o lucro operacional e reduzindo custos com juros e locação de aeronaves.
Para sair da recuperação judicial, a empresa emitiu US$ 1,375 bilhão em dívida e recebeu um aporte de US$ 950 milhões, incluindo US$ 100 milhões da United Airlines, e aguardando liberação do Cade para aporte da American Airlines.
Estratégia após a recuperação judicial
A Azul pretende focar na recuperação da confiança dos clientes, priorizando melhorias no serviço ao invés de crescimento acelerado. O CEO destacou que a empresa esteve em modo de sobrevivência nos últimos anos e agora busca reinvestir na qualidade do atendimento.
O índice de satisfação do cliente, medido pelo NPS, melhorou significativamente nos últimos meses. A companhia projeta crescimento moderado de 1% na oferta de voos para 2026, bem abaixo das expectativas iniciais antes da recuperação judicial.
John Rodgerson ressaltou a cautela na expansão da malha aérea devido à menor quantidade anual de aeronaves recebidas, o que demanda uma avaliação mais rigorosa da rentabilidade das novas rotas.
Além disso, a Azul decidiu não retomar negociações de fusão com o Grupo Abra, controlador da Gol, encerrando oficialmente as discussões iniciadas antes da recuperação.
O fim das conversas também levou à rescisão do acordo de codeshare entre as companhias, em função das mudanças no mercado causadas pela reestruturação da Azul.

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