Brasil
Ibovespa abre a semana em queda de 0,88% aos 188,8 mil pontos
O Ibovespa seguiu a queda observada em Nova York ainda no início da tarde e se estabeleceu em um nível mais baixo após alcançar seu 12º fechamento recorde desde 14 de janeiro, registrado na sexta-feira passada, quando ultrapassou pela primeira vez os 190 mil pontos no fechamento.
Nesta segunda-feira (23), o índice iniciou o dia aos 190,5 mil pontos e chegou a bater um novo recorde intradiário de 191 mil pontos. Contudo, encerrou a sessão aos 188.853,49 pontos, em queda de 0,88%, chegando a tocar o menor patamar do dia em 188.525,73 pontos. O volume financeiro movimentado ficou em R$ 32,3 bilhões. No acumulado do mês, o Ibovespa ainda registra valorização de 4,13%, elevando o ganho anual para 17,21%.
O bom desempenho dos principais papéis Vale (ON +0,67%) e Petrobras (ON +1,95%, PN +1,63%), entretanto, não foi suficiente para conter a queda do índice, que sofreu com fortes perdas no setor financeiro, lideradas por Itaú (PN -3,62%), Santander (Unit -5,69%, que marcou a mínima do dia no fechamento) e Bradesco (ON -1,92%, PN -2,44%).
Entre os maiores ganhos do Ibovespa destacaram-se Raízen (+5,00%), MBRF (+3,88%), Telefônica Brasil (+3,27%) e Bradespar (+2,15%). Do lado das perdas, além do Santander e Itaú, estiveram Hapvida (-5,05%), Vibra (-4,87%) e Magazine Luiza (-3,98%).
Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, explica: “Petrobras teve desempenho positivo pela manhã, mas perdeu força na parte da tarde devido à oscilação nos preços do petróleo, enquanto a Vale avançou em função do acordo para o hub de minério da Índia, e a Telefônica Brasil cresceu com base no balanço do quarto trimestre de 2025”.
Apesar da queda do Ibovespa, que refletiu perdas de mais de 1% nas bolsas de Nova York nesta segunda, o real se valorizou em relação ao dólar, com a moeda americana sendo negociada próxima a R$ 5,16 (-0,14%) ao final do pregão.
Rodrigo Marcatti, economista e CEO da Veedha Investimentos, destaca que “a bolsa recuou hoje com realização de lucros, em função do aumento das tarifas americanas de 10% para 15% no fim de semana pelo presidente Donald Trump, após a rejeição dessas tarifas pela Suprema Corte na última sexta-feira. O mercado ainda está assimilando essa confusão criada por Trump”.
Esse ajuste, que aconteceu de forma relativamente moderada na sessão, sucede sete semanas consecutivas de alta para o Ibovespa, configurando a maior sequência positiva desde a série de nove semanas ininterruptas entre abril e junho de 2023. Em Nova York, as quedas desta segunda foram de 1,66% no Dow Jones, 1,04% no S&P 500 e 1,13% no Nasdaq.
Matheus Spiess, analista da Empiricus Research, analisa: “Foi um dia de aversão global ao risco, com o mau humor dos investidores diante do que pode ser uma nova fase da guerra comercial. Inicialmente, a decisão da Suprema Corte na sexta havia animado os mercados, mas acabou desencadeando uma resposta agressiva da Casa Branca”. Ele ainda ressalta que o tom comercial “permanece belicoso”, mantido pelo governo americano desde a reversão da Suprema Corte.
O analista acrescenta que “existe muita incerteza comercial sobre quais acordos permanecerão válidos”.
Na mesma linha, Donald Trump reiterou em publicação na Truth Social que, devido ao cargo que ocupa, não precisaria da aprovação do Congresso para impor tarifas. Ele ameaçou aplicar alíquotas ainda maiores, após elevar as tarifas globais de 10% para 15% durante o fim de semana, em resposta à decisão da Suprema Corte que anulou o tarifaço imposto pela Casa Branca em abril de 2025.
Nicolas Merola, analista da EQI Research, observa que “a política comercial de Trump de fato ditou o ritmo do mercado nesta semana. O uso das tarifas sofreu um revés, inclusive com debates sobre ressarcimento dos valores arrecadados. A decisão da Suprema Corte já era esperada, mas Trump respondeu com novas tarifas, utilizando outros dispositivos legais. Pela derrota judicial, era esperado que Trump reforçasse a mensagem de que as tarifas permaneceriam vigentes, especialmente em um cenário em que a inflação americana enfrenta dificuldades para desacelerar ainda mais”.
Nesta segunda-feira, o líder da minoria democrata no Senado americano, Chuck Schumer, declarou que seu partido bloqueará qualquer tentativa de estender as tarifas impostas por Donald Trump conforme a Seção 122 da legislação comercial dos EUA.
Em comunicado, Schumer afirmou que, após a derrota judicial de Trump, o presidente “acirra seu reinado de caos econômico”. Segundo ele, as tarifas globais de 15% anunciadas pelo republicano “continuarão a elevar os preços e dificultarão a vida de milhões de americanos”. A Seção 122 da Lei de Comércio dos EUA de 1974 autoriza o presidente a impor tarifas temporárias — de até 15% por um período máximo de 150 dias — para lidar com déficits na balança comercial ou para proteger o dólar.

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