Brasil
Mortes ligadas à investigação do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes
Durante a apuração do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, pelo menos cinco pessoas mencionadas ou investigadas no processo foram assassinadas em eventos violentos. Esses casos ocorreram em diferentes momentos entre 2020 e 2023, envolvendo indivíduos conectados a milícias e grupos de extermínio na Zona Oeste do Rio de Janeiro.
Um dos casos mais notórios é o de Edmilson da Silva de Oliveira, conhecido como Macalé. Conforme a delação premiada realizada em 2023 pelo ex-policial militar Élcio de Queiroz, Macalé teria funcionado como elo na contratação do também ex-policial Ronnie Lessa para realizar o atentado.
Macalé foi alvejado com tiros em 6 de novembro de 2021, em Bangu, Zona Oeste do Rio, enquanto se dirigia a seu automóvel. Na ocasião, ele carregava gaiolas para uma reunião de criadores de pássaros. Para a Polícia Federal, a hipótese principal é que sua morte foi uma tentativa de eliminar testemunhas, pois ele possuía informações sensíveis relacionadas ao crime.
Outro indivíduo sob investigação foi o ex-capitão do Bope Adriano da Nóbrega. Segundo as apurações, ele teria sido buscado antes de Lessa para o assassinato, mas recusou-se a participar. As investigações do duplo homicídio serviram para desencadear a Operação Intocáveis, conduzida pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) e Polícia Civil, que visava a liderança da milícia de Rio das Pedras, Itanhangá. Adriano era apontado como membro desse grupo.
Reconhecido como chefe da organização de pistoleiros conhecida como Escritório do Crime, Adriano ficou foragido por quase um ano. Foi encontrado em fevereiro de 2020, em uma fazenda na Bahia, onde morreu durante uma operação policial que, segundo informações oficiais, envolveu troca de tiros com agentes do Bope local, auxiliados pela inteligência da Polícia Civil do Rio.
Uma outra vítima foi o policial militar Luis Carlos Felipe Martins, apontado como braço direito de Adriano. Ele foi assassinado em 20 de março de 2021, em Realengo, também na Zona Oeste. O crime ocorreu um dia antes de uma operação planejada pelo MPRJ e Polícia Civil para capturá-lo.
Hélio de Paulo Ferreira, conhecido como Senhor das Armas, também consta na lista. Ele faleceu em 28 de fevereiro de 2023, na Rua Araticum, bairro do Anil. Hélio havia sido nomeado no inquérito sobre a execução da vereadora e do motorista.
Por fim, Lucas do Prado Nascimento da Silva, apelidado de Todynho, foi morto em uma emboscada na Avenida Brasil, próximo a Bangu. Ele era suspeito de colaborar na clonagem do veículo utilizado no assassinato de Marielle e Anderson. Segundo relatório do inquérito assinado pelo então responsável pela Delegacia de Homicídios, Giniton Lages, Todynho teria participado da fabricação de documentos falsos para o automóvel.

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