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Interpol cria equipe liderada pelo Brasil para combater tráfico de drogas

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A Interpol vai formar uma equipe com países da América do Sul para enfrentar o tráfico internacional de drogas. O grupo, liderado pelo Brasil, vai se encontrar no escritório regional da organização em Buenos Aires, Argentina.

A expectativa é que todos os países da região participem da equipe com pelo menos um agente de cada nação. Os policiais começarão a ser recrutados em março. Esse modelo permitirá operações coordenadas e simultâneas entre os países para combater o tráfico de drogas.

“Eles poderão identificar a presença de recursos dessas organizações e gerar informações para novas operações criminais. Esse modelo vai garantir muito mais operações do que atualmente”, explicou o secretário-geral da Interpol, Valdecy Urquiza.

O governo brasileiro assinou no dia 23 um acordo de parceria com a Interpol. O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) planeja investir cerca de R$ 11 milhões para um ano de projeto.

O formato foi inspirado na Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO), criada no Brasil para coordenar autoridades federais e estaduais no enfrentamento ao crime organizado. O grupo atua em diversos estados brasileiros de forma coordenada.

“A ideia é que esses agentes tenham acesso a todas as informações globais de segurança pública, aos bancos de dados da Interpol, e possam realizar operações cooperativas em tempo real. Isso vai impulsionar ações estratégicas para desarticular o crime organizado transnacional na região”, afirmou a secretária nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (SENAD), Marta Machado.

Em junho do ano passado, o governo já havia firmado um acordo inicial com a Interpol em Lyon, França, para fortalecer a parceria no combate ao crime organizado. Na ocasião, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comprometeu-se a atuar no enfrentamento às organizações criminosas.

Declaração do ministro

Durante o evento, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Cesar Lima e Silva, afirmou que a parceria facilitará o fluxo ágil de informações entre os países, permitindo que as forças de segurança se antecipem contra o crime organizado. O ministro destacou a “preocupação constante” do ministério com a segurança pública.

“Essa é uma prioridade que afeta diretamente a população brasileira. Todas as pesquisas mostram isso. É fundamental que essa iniciativa seja elevada a um nível prioritário”, disse o ministro.

A segurança pública é uma das áreas com avaliação mais negativa no governo. Em janeiro, uma pesquisa da Paraná Pesquisas indicou que 44,3% da população percebeu piora na segurança durante a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O tema da segurança pública tem gerado debates intensos entre o presidente Lula e grupos de direita e deve ser um foco nas eleições deste ano.

Em janeiro, após sua primeira reunião com o presidente Lula desde que assumiu o MJSP, Wellington Lima e Silva afirmou que o presidente decidiu tornar o combate ao crime organizado uma “ação de Estado”. Nesta segunda-feira, o ministro reforçou a “elevação do nível” das políticas para essa área. “Isso faz parte de um compromisso maior do presidente, que tem um firme propósito de combate ao crime organizado”, declarou.

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