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Empresária passa mal e depoimento é interrompido na CPMI do INSS

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O depoimento da empresária Ingrid Pikinskeni Morais Santos na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS foi suspenso após ela passar mal durante o interrogatório. O mal-estar aconteceu enquanto o relator da CPMI, Alfredo Gaspar (União-AL), fazia perguntas.

O presidente da comissão, Carlos Viana (Podemos-MG), suspendeu a sessão para que Ingrid recebesse atendimento pela equipe médica do Senado. Ela saiu da audiência antes dela ser concluída.

Ingrid Santos foi convocada após o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, informar que não compareceria à comissão. Ela é esposa e sócia de Cícero Marcelino de Souza Santos, ambos ligados à Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), que teria recebido mais de R$ 100 milhões oriundos de descontos ilegais nos benefícios previdenciários.

Cícero é apontado como operador e assessor do presidente da Conafer, Carlos Roberto Ferreira Lopes, investigado pela CPMI. Parte dos valores desviados teria sido movimentada em contas de empresas nas quais Ingrid é sócia.

Após a retomada da sessão, o relator afirmou: “Só gostaria de lembrar que a depoente recebeu, além dos valores repassados para as contas da empresa, mais de R$ 13 milhões — infelizmente provenientes dos aposentados e pensionistas do Brasil. As lágrimas não podem ser questionadas em termos de sinceridade, porém o crime cometido é grave. Nosso objetivo é que todos, independentemente de quem sejam, respondam por este enorme prejuízo”.

Antes da audiência, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin concedeu a ela habeas corpus para que pudesse permanecer em silêncio durante o depoimento.

Ingrid Santos foi questionada sobre as atividades do marido e seu conhecimento sobre o envolvimento das empresas no esquema de descontos ilegítimos do INSS. Ela declarou que não sabia dos detalhes e que a gestão das empresas era feita por Cícero Santos.

“Em relação às empresas e transferências, não posso responder porque a administração era feita por meu esposo, Cícero. Ele inclusive violou minha confiança quando a Polícia Federal apareceu na minha residência, acordando meus filhos e constrangendo minha família”, afirmou.

“Para mim, tudo isso é surpreendente e estar aqui está sendo muito difícil porque jamais imaginei passar por uma situação assim”, concluiu, pouco antes de passar mal.

Sobre o Banco Master

Antes do depoimento, o presidente da CPMI anunciou que irá recorrer da decisão do ministro do STF André Mendonça, que dispensou o banqueiro Daniel Vorcaro de depor na comissão.

Vorcaro, que cumpre prisão domiciliar, foi convocado para falar sobre irregularidades envolvendo empréstimos consignados e os prejuízos causados a aposentados, pensionistas e demais beneficiários do INSS. O Banco Master mantinha uma parceria técnica com o instituto para oferta de crédito consignado.

Prorrogação dos trabalhos

Carlos Viana informou que pediu a extensão das atividades da CPMI por pelo menos 60 dias. O pedido foi protocolado e aguarda decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

Como ainda não houve resposta, Viana considera recorrer ao STF para garantir a continuidade da comissão, que teve início em 20 de agosto do ano passado.

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