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México mobiliza 10 mil militares após alta de violência por morte de líder do narcotráfico

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O México acionou nesta segunda-feira (23) cerca de 10 mil soldados para garantir a segurança da população após o aumento da violência desencadeada pela morte de seu maior chefe do tráfico de drogas durante uma operação militar que resultou em quase 75 mortos.

Os militares concentraram suas ações principalmente no estado de Jalisco, região oeste do México, onde, no domingo, autoridades de segurança prenderam Nemesio Oseguera, também conhecido como “El Mencho”, líder do Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG), com apoio de informações de inteligência vindas dos Estados Unidos.

A operação culminou na morte do narcotraficante mais procurado do México nos últimos anos, pelo qual os Estados Unidos haviam oferecido uma recompensa de 15 milhões de dólares (R$ 78 milhões).

Oseguera, 59 anos, foi ferido durante o confronto com os militares na localidade de Tapalpa e faleceu durante seu transporte aéreo a um hospital.

Essa ação provocou uma reação agressiva do cartel, que bloqueou rodovias, incendiou veículos, atacou postos de gasolina, estabelecimentos comerciais e bancos, além de confrontar as autoridades em 20 dos 32 estados mexicanos, incluindo o Estado do México.

Nas operações e confrontos, morreram pelo menos 27 agentes de segurança, 46 supostos criminosos e uma civil, segundo as autoridades.

Na capital do país, não foram observados atos violentos e a situação de segurança permaneceu estável na segunda-feira.

O CJNG foi classificado como uma organização narcoterrorista estrangeira pelos Estados Unidos há um ano.

Preocupações um dia depois

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, tentou tranquilizar a população afirmando que a prioridade do governo é proteger todos os cidadãos. Segundo ela, o país “está em paz, a situação está calma” e não há mais bloqueios criminosos nas estradas.

Contudo, jornalistas da AFP observaram que ainda permaneciam alguns bloqueios próximo a Guadalajara, capital de Jalisco, na região da captura.

Muitos mexicanos expressaram receio, apesar das declarações da presidente.

“Está tranquilo, está tranquilo, mas não… não quero sair ainda”, disse à AFP Serafín Hernández, um caminhoneiro de Morelia, no oeste do país, que temia que seu veículo fosse incendiado.

“Estamos com medo, creio que toda a sociedade está”, especialmente aqueles que precisam ir ao trabalho, complementou Ángel González, taxista de 45 anos da mesma região.

Em Guadalajara, a segunda maior cidade do país, as ruas estavam quase desertas e a maioria dos estabelecimentos comerciais fechados na segunda-feira.

Devido ao fechamento dos comércios, formaram-se longas filas de pessoas preocupadas com a possível falta de alimentos.

Sentia-se uma ansiedade refletida na dúvida de moradores como Leo Tounsi-Moreno, um turista francês de 24 anos visitando a cidade: “Como vou me alimentar se todas as lojas estão fechadas?”

Guadalajara será uma das três cidades mexicanas que sediarão a próxima Copa do Mundo de futebol, onde estão previstas quatro partidas em junho, atraindo milhares de visitantes.

Quando questionada pela AFP, uma porta-voz da FIFA preferiu não comentar a situação atual.

Em doze estados mexicanos, as aulas foram suspensas na segunda-feira por precaução.

Com apoio dos Estados Unidos

Uma das parceiras de Oseguera foi vital para localizar o chefe do cartel em Tapalpa, conforme explicado em coletiva pelo secretário da Defesa Nacional, Ricardo Trevilla.

Graças às informações fornecidas pela inteligência americana, as autoridades conseguiram rastrear o paradeiro do narcotraficante, que estava desaparecido por anos e, segundo relatórios, em condições precárias de saúde.

Forças especiais do Exército mexicano cercaram Oseguera e foram recebidas a tiros pelos pistoleiros responsáveis por sua proteção, disse Trevilla.

A operação foi conduzida exclusivamente por militares do México, sem participação direta dos Estados Unidos, ressaltou Sheinbaum, e destacou o contínuo intercâmbio de informações entre os países.

Após a chegada à procuradoria, o corpo de Oseguera foi oficialmente identificado por exames genéticos e será entregue à família, informou o secretário de Segurança, Omar García Harfuch.

A morte do líder de uma das organizações criminosas mais influentes do mundo gera agora apreensão sobre possíveis conflitos internos pela sucessão ou confrontos entre o CJNG e outros cartéis para controlar os territórios.

Oseguera não possuía sucessores definidos, o que pode resultar em um cenário parecido com o da Colômbia, onde grupos criminosos locais emergiram, ressalta Gerardo Rodríguez, especialista em segurança nacional e professor da Universidade das Américas em Puebla.

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