Centro-Oeste
UnB lança espaço para ajudar mães a estudar e cuidar dos filhos
Nesta segunda-feira (23 de fevereiro), o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, lançou a Cuidoteca da Universidade de Brasília (UnB), que é a primeira iniciativa desse tipo na região Centro-Oeste. O evento aconteceu às 15h45 no Auditório da Reitoria, no campus Darcy Ribeiro, com a presença da reitora Rozana Reigota Naves, da secretária nacional de Cuidados e Família, Laís Abramo, da diretora de Desenvolvimento Acadêmico do MEC, Lucia Campos Pellanda, e representantes do Coletivo de Mães da UnB.
A Cuidoteca faz parte do Plano Nacional de Cuidados — Brasil Que Cuida, fruto de uma parceria entre a Secretaria Nacional da Política de Cuidados e Família (SNCF/MDS) e a UnB. O espaço vai funcionar à noite, das 18h30 às 22h45, próximo à Faculdade de Direito, ao lado das ASFUB, oferecendo cuidado para até 40 crianças de 3 a 9 anos com ajuda especializada e acompanhamento por agentes de cuidado. A ideia é ajudar os pais e mães estudantes da universidade a conciliar os estudos com as responsabilidades familiares.
Yara Lima, 26 anos, mãe de uma menina de 1 ano e 9 meses e estudante de administração, destacou a importância do projeto para o Coletivo de Mães da UnB. “O lançamento da Cuidoteca é um marco para nós, porque é algo que sonhávamos há anos”, disse, ressaltando o apoio do Governo Federal para políticas que ajudam as mães a continuarem na universidade.
Bianca Cristina Barros, 35 anos, mãe de Arthur e Gabriel, de 4 e 2 anos, e pesquisadora de pós-graduação em estudos latino-americanos, falou sobre os desafios que enfrenta. Filha de empregada doméstica e a primeira mulher de sua família a entrar na universidade, ela explicou que é muito importante ter redes de apoio, principalmente quando não se tem acesso fácil a creches. Para Bianca, a Cuidoteca é uma chance de seguir carreira científica e cuidar dos filhos ao mesmo tempo.
Wellington Dias destacou que essa iniciativa é uma política de Estado, baseada em lei e decreto presidencial, começando na academia para acompanhar os resultados. “Ao apoiar quem cuida, aumentamos a permanência dos estudantes, criamos oportunidades de trabalho, fortalecemos a autonomia econômica das mulheres e diminuímos as desigualdades de gênero”, afirmou.
Rozana Reigota Naves, que foi mãe durante sua graduação e doutorado, reforçou que cuidar das crianças é um direito e que a universidade pública precisa considerar as dificuldades enfrentadas pelas mulheres. Ela também anunciou a abertura de um cadastro reserva para mais 20 vagas, levando em conta as diversas características do público atendido.
Laís Abramo explicou que o Plano Nacional de Cuidados tem como objetivo garantir o cuidado na rotina do dia a dia, criando ambientes seguros para as crianças e o direito dos cuidadores de concluir seus estudos. Yara Lima finalizou com um pedido: “Apoiem as mães, as que engravidaram na adolescência, as que engravidaram durante a universidade, as que já estão na universidade com filhos. Nós fazemos parte fundamental da construção do nosso pacto social.”

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