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Ex-presidente das Filipinas criou lista de pessoas para matar, diz promotor do TPI

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Rodrigo Duterte, ex-presidente das Filipinas, foi acusado por um promotor do Tribunal Penal Internacional (TPI) de ter criado pessoalmente uma lista de pessoas marcadas para morrer e de se orgulhar dos assassinatos ocorridos durante sua campanha contra as drogas.

Na terça-feira (24), em Haia, segunda sessão das audiências avaliou se Duterte, que governou o país entre 2016 e 2022, deve responder por crimes contra a humanidade, enfrentando três acusações deste tipo.

O promotor Edward Jeremy apresentou provas contundentes, incluindo relatos de que crianças tinham suas cabeças envoltas em fita adesiva e eram estranguladas até a morte.

“Como presidente, Duterte identificava publicamente pessoas suspeitas de envolvimento com drogas, muitas das quais acabaram mortas durante sua campanha,” afirmou o promotor.

Jeremy chamou esta lista de uma espécie de ‘lista de exclusão’, exibindo um vídeo onde o ex-presidente afirma: “sou o único responsável por tudo isso”.

Durante as sessões, o promotor mostrou um trecho de um discurso onde Duterte fazia piadas sobre execuções extrajudiciais, enquanto autoridades no local riam junto dele. Do lado de fora, nas ruas das Filipinas, corpos se acumulavam.

Jeremy alegou que quase 1.500 pessoas foram executadas quando aquele vídeo foi gravado.

Em dois casos, crianças de cerca de 14 ou 15 anos foram presas e assassinadas pela polícia, que enrolava suas cabeças em fita adesiva para silenciá-las e, em seguida, as estrangulava com fios.

“É difícil imaginar um fim mais cruel para duas vidas tão jovens. Essas crianças assassinadas foram posteriormente vendidas às funerárias,” relatou o promotor.

O advogado de defesa de Duterte, Nicholas Kaufman, declarou que seu cliente nega as acusações e, embora tenha usado linguagem dura em discursos, sempre orientou que as forças de segurança acionassem armas somente em legítima defesa.

Organizações de direitos humanos consideram que a campanha antidrogas deixou dezenas de milhares de mortos, majoritariamente pessoas pobres, assassinadas pela polícia ou grupos locais sem provas de envolvimento com drogas.

Após quatro dias de audiência, os juízes terão 60 dias para decidir se o caso avançará para julgamento completo.

Duterte foi detido em Manila em março de 2025 e transferido para uma prisão em Haia, onde permanece na unidade de detenção do TPI.

Com 80 anos, o ex-presidente optou por não comparecer ao tribunal, exercendo seu direito de permanecer em silêncio. A defesa alega que sua saúde está debilitada, enquanto promotores e vítimas afirmam que ele está saudável, mas evita enfrentar os familiares das vítimas.

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