Brasil
Enchentes em MG causam 29 mortes e muitos desaparecidos
Os bombeiros resgatam o corpo de um homem entre a lama e os destroços de casas soterradas nesta terça-feira (24) devido às fortes chuvas que provocaram ao menos 29 mortes e deixaram 40 pessoas desaparecidas em Minas Gerais.
A área afetada fica no Parque Burnier, um bairro situado na encosta de uma colina em Juiz de Fora, uma cidade de meio milhão de habitantes localizada em uma região montanhosa de Minas Gerais, onde ocorreram 22 óbitos, segundo informações oficiais.
As cheias e deslizamentos causados pelo intenso volume de água também resultaram em sete vítimas fatais na cidade vizinha de Ubá.
Em Juiz de Fora, este fevereiro foi o mais chuvoso já registrado, com um acumulado de 584 milímetros até o momento, e há alertas para a continuidade das precipitações.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu o estado de calamidade no município, decreto emitido na madrugada pela prefeita Margarida Salomão (PT), diante da situação grave enfrentada.
Busca desesperada por desaparecidos
O relógio acelera a corrida para encontrar os desaparecidos.
“Quanto mais tempo passa, menores as chances de encontrar sobreviventes”, afirmou à AFP Paulo Roberto Bermudes Rezende, coordenador da Defesa Civil de Minas Gerais no Parque Burnier.
O temporal ganhou intensidade durante a noite, quando a maioria das pessoas já estava em casa. As autoridades confirmaram que o sistema de alerta via mensagem de texto, recentemente implementado, funcionou adequadamente.
No Parque Burnier, doze residências foram destruídas por um deslizamento, declarou à AFP o comandante Demetrius Goulart, do Corpo de Bombeiros.
Wilton Aparecido de Souza estava emocionado. Seu filho de 20 anos está entre os escombros da lama.
“Vamos confiar em Deus e esperar. Ele havia retornado do serviço militar há quatro meses e planejava comprar uma moto”, disse à AFP o pai de 42 anos. “Pelo menos encontrar o corpo, para dar um enterro digno”, completou.
Solidariedade e dor entre moradores
Várias pessoas do bairro acompanharam o intenso trabalho dos bombeiros na procura por desaparecidos e na localização de vítimas.
“Isso está me afetando profundamente, pois a maioria das pessoas soterradas são parentes meus, incluindo minha irmã e meu sobrinho”, relatou Cleiton Ronan, 32 anos. “Já passei mal, fiquei tonto, orei, gritei; agora só sinto uma tristeza imensa.”
Voluntários com pás também ajudaram as equipes de resgate.
“Quando encontramos objetos como ursinhos, brinquedos e bonecas, isso corta o coração. Eu, como pai, estou com o coração dilacerado neste dia”, disse o pedreiro Átila Mauro, 33 anos.
A prefeita Salomão alertou em um vídeo que os bairros estão isolados e a situação é crítica, com pelo menos 20 deslizamentos confirmados.
A Defesa Civil estimou que cerca de 440 pessoas precisaram deixar suas casas e estão recebendo apoio para abrigo provisório da prefeitura.
As operações dos bombeiros concentraram-se especialmente em áreas próximas ao rio Paraibuna, que transbordou.
As aulas nas escolas municipais foram suspensas até novo aviso.
O Brasil tem enfrentado diversas tragédias causadas por eventos climáticos extremos, como enchentes, secas severas e ondas de calor intensas.
Em 2024, enchentes inéditas no sul do país deixaram mais de 200 mortos e afetaram cerca de dois milhões de pessoas, configurando uma das maiores catástrofes naturais da história brasileira.
Especialistas apontam que a maioria desses desastres está relacionada aos impactos das mudanças climáticas.

Você precisa estar logado para postar um comentário Login