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Em 2025, 129 jornalistas foram mortos; mais de 80 por Israel

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Durante o ano de 2025, 129 jornalistas perderam a vida enquanto exerciam sua profissão, conforme divulgado pelo relatório do Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), uma organização não governamental. Este número representa o maior registro de mortes desde o início das análises do comitê, que ocorrem há mais de 30 anos.

Segundo os dados da organização, sediada em Nova York (EUA), cerca de dois terços dessas fatalidades (86) estão relacionadas às ações das Forças de Defesa de Israel.

Das 129 mortes, 104 ocorreram em zonas de conflito, concentradas majoritariamente em cinco países: Israel (86 jornalistas mortos), Sudão (9), México (6), Rússia (4) e Filipinas (3). Embora o número de vítimas na Ucrânia e no Sudão tenha aumentado, a maioria das mortes refere-se a jornalistas palestinos.

O comitê destaca que os conflitos armados globais atingiram níveis históricos, o que elevou o número de assassinatos de jornalistas a patamares sem precedentes. Para o CPJ, a impunidade é um fator crucial para a escalada dessas mortes.

Jodie Ginsberg, presidente do CPJ, ressalta que o aumento das mortes ocorre em um período no qual o acesso à informação é vital. Ela aponta que ataques contra a imprensa são sinais claros de ataques a outras liberdades fundamentais e enfatiza a necessidade de ações para prevenir esses assassinatos e responsabilizar os culpados.

O relatório reitera que tais assassinatos violam o direito internacional humanitário, que protege jornalistas como civis, proibindo que sejam alvos deliberados.

Jornalistas vítimas de ataques

Dentre os casos citados, destaca-se Hossam Shabat, correspondente palestino de 23 anos da Al Jazeera no Qatar, morto em março de 2025 num ataque perto do hospital Beit Lahia, norte de Gaza. Ele era um jornalista conhecido por cobrir os conflitos na região. O governo israelense o acusou, sem provas, de ser um atirador do Hamas.

Outro exemplo é o repórter Anas al-Sharif, também da Al Jazeera, que foi alvo de ameaças contínuas e difamações. Ele foi assassinado em agosto de 2025 após um ataque a uma tenda usada por jornalistas próximo ao Hospital Al-Shifa, junto com outros colegas da mesma emissora e freelancers.

Fatores que contribuem para o aumento das mortes

Além dos conflitos armados, o CPJ destaca que sistemas jurídicos frágeis, grupos criminosos e líderes corruptos também contribuem para o assassinato de jornalistas em países como Bangladesh, Colômbia, Guatemala, Honduras, Índia, México, Nepal, Peru, Filipinas, Paquistão e Arábia Saudita. Em diversas dessas nações, o assassinato de jornalistas se tornou algo comum ao longo dos últimos anos.

Aumento de ataques com drones

O CPJ chama a atenção para o crescimento do uso de drones em ataques contra a imprensa, passando de duas mortes em 2023 para 39 em 2025. Desde a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, ambos os países utilizam drones para vigiar e atacar, incluindo jornalistas civis.

De acordo com o comitê, 2025 foi o primeiro ano em que houve registros de jornalistas mortos por ataques com drones durante a guerra entre Rússia e Ucrânia, evidenciando uma nova ameaça para os profissionais da imprensa.

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