Economia
Taxas mantêm estabilidade com influência dos Treasuries e cenário eleitoral
Apesar de fatores que poderiam acelerar a queda dos prêmios de risco nos juros futuros, a melhora dos DIs foi discreta na sessão desta quarta-feira (25). Participantes do mercado acreditam que a pesquisa Atlas/Bloomberg, que indicou empate técnico entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), teve pouco impacto nos preços hoje, pois rumores já circulavam desde terça-feira (24).
Além disso, a cautela dos investidores pode estar relacionada ao leilão de prefixados do Tesouro Nacional previsto para quinta-feira (26), que deve apresentar uma oferta significativa, e à expectativa pelo IPCA-15 de fevereiro, que será divulgado na sexta-feira (27). Nos Estados Unidos, a alta nos rendimentos dos Treasuries também limitou a queda das taxas futuras.
Ao final do pregão, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 subiu de 13,221% para 13,24%. O DI para janeiro de 2029 aumentou de 12,567% para uma máxima intradia de 12,595%. Já o DI para janeiro de 2031 fechou estável em 13,005%.
Um gestor de renda fixa de uma grande asset afirmou que a sessão não apresentou a melhora esperada nos DIs, apesar do ambiente externo mais favorável e das denúncias que poderiam enfraquecer o governo e a pesquisa da Atlas. Segundo o site Metrópoles, dois servidores do INSS estariam negociando delação premiada sobre um esquema de fraudes no instituto, envolvendo o filho mais velho do presidente Lula, Fábio Luís Lula da Silva.
Na enquete da Atlas/Bloomberg divulgada pouco antes da abertura do mercado, o presidente Lula teve queda de 3,8 pontos nas intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro avançou 2,9 pontos no cenário de primeiro turno, alcançando 45% e 37,9%, respectivamente.
No principal cenário de segundo turno, o empate técnico prevaleceu com 46,3% para Flávio e 46,2% para Lula. Em relação à pesquisa anterior, Lula caiu 3 pontos e Flávio subiu 1,4 ponto. O impacto da pesquisa, inicialmente visto com um recuo de até 5 pontos nas taxas longas, praticamente desapareceu no início da tarde.
O gestor comentou que esperava alguma movimentação, mas que não houve nada relevante, sugerindo que isso pode ser resultado da antecipação da pesquisa, que causou certa recuperação mais tarde. Ele acrescentou que pode ser mais prudente aguardar antes de apostar na queda dos juros, considerando ainda a prévia da inflação oficial e outra pesquisa eleitoral que serão divulgadas, além do próximo leilão do Tesouro Nacional, que deverá ser robusto.
O estrategista-chefe da RB Investimentos, Gustavo Cruz, destacou que o cenário mais positivo para Flávio, preferido pela Faria Lima, já vinha sendo especulado, o que pode ter reduzido o impacto do levantamento sobre as taxas nesta quarta-feira. Ele observou que, apesar de muitos acreditarem que o presidente Lula pode não vencer as eleições, ainda existem dúvidas sobre Flávio Bolsonaro.
Cruz também apontou que os aspectos negativos do candidato, relacionados à sua ligação com o pai, que apresenta alta rejeição popular, ainda não foram explorados pela campanha petista, possivelmente por se tratar de um momento inadequado. Além disso, ressaltou que medidas como a isenção do Imposto de Renda para rendimentos mensais até R$ 5 mil, implementadas pelo governo atual, ainda não demonstraram impacto na demanda.
Nos Estados Unidos, os rendimentos dos Treasuries subiram, à medida que o mercado passou a estimar que o Federal Reserve (Fed) retomará o ciclo de cortes dos juros apenas em julho, diante das incertezas sobre a política comercial do país, limitando o declínio das taxas brasileiras.

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