Brasil
Recomeço difícil após as chuvas fortes em MG
Em meio à aflição, equipes de resgate e moradores buscam nesta quarta-feira (25) os desaparecidos devido às chuvas intensas que atingiram Minas Gerais, causando 40 mortes. Muitos se questionam sobre como será possível reconstruir.
O forte volume de chuvas registrado na segunda-feira provocou enchentes, desabamentos e deslizamentos de terra que soterraram várias pessoas.
A cidade mais afetada foi Juiz de Fora, seguida por Ubá. O número oficial de desaparecidos é de 27, conforme informado pelos socorristas.
Bombeiros atuando nos resgates em Juiz de Fora relataram que a chance de encontrar sobreviventes sob os deslizamentos de lama é reduzida.
Essa tragédia no sudeste se soma a outras calamidades climáticas recentes no Brasil, que especialistas associam aos efeitos das mudanças climáticas globais.
Josiane Aparecida, cozinheira de 43 anos em Juiz de Fora, compartilhando seu sofrimento com lágrimas, procura entre os destroços os dois sobrinhos de sua prima e o namorado dela. A prima e a mãe dela morreram em deslizamento.
“Nossa família está desesperada. Temos esperança e medo ao mesmo tempo, pois já perdemos dois”, disse a senhora.
A residência dos parentes, no bairro Paineiras, foi destruída e soterrada pela lama.
Nas proximidades, socorristas resgataram o corpo de um homem que, antes de morrer, conseguiu salvar a esposa do deslizamento, conforme relato dos bombeiros.
As buscas continuam em Juiz de Fora, mesmo com previsão de mais chuvas até sexta-feira.
O cenário em Ubá
Na cidade de Ubá, a cerca de duas horas de Juiz de Fora, moradores cobertos de lama limpavam o lodo deixado por um rio transbordado.
Felippe Souza Lima, dono de loja de ferragens, relata que a água invadiu mais de um metro e meio de sua loja, causando grande destruição. Ele descreveu a situação como caótica e lamentou a tragédia que assola a cidade.
Mauro Pinto de Moraes Filho, de 63 anos, observava preocupado a lama que tomou conta da sua concessionária, com prejuízos estimados em quase um milhão de dólares. Ele comentou que fecharia temporariamente a filial e considerou que seria insano investir muito dinheiro para reerguer a empresa após o desastre.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decretou estado de calamidade na região e colocou a Defesa Civil em alerta máximo.
Problemas causados por fenômenos climáticos extremos têm se tornado frequentes no Brasil, com enchentes, secas e ondas de calor intensas, afetando milhões.
Em 2024, inundações sem precedentes no sul do país resultaram em mais de 200 mortes e afetaram dois milhões de pessoas, configurando uma das maiores tragédias naturais da história nacional.

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