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Haddad alerta que altos salários custam R$ 20 bilhões ao ano para governo
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que os altos salários nos Três Poderes da União, estados e municípios representam um custo anual de R$ 20 bilhões. O assunto está em debate no Supremo Tribunal Federal (STF).
– É necessário abordar essa questão, pois envolve um impacto orçamentário significativo. Estima-se um gasto anual de R$ 20 bilhões com esses salários elevados. Isso deve ser reduzido a um nível razoável e justo – declarou.
Haddad defendeu um debate sobre a limitação desses salários, utilizando como base o texto da Reforma Administrativa proposto pelo deputado Pedro Paulo (PSD-RJ).
A reforma sugere eliminar benefícios disfarçados que ultrapassam os limites constitucionais, como conversão de férias, folgas ou licenças em dinheiro.
– Pessoalmente, aprecio certos aspectos da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Reforma Administrativa relacionados a esses salários altos, que estão bem desenhados. A regulação poderia ser feita por projeto de lei, e a decisão sobre limites caberia ao Congresso Nacional – acrescentou Haddad.
Na quarta-feira, o STF iniciou o julgamento de decisões dos ministros Flávio Dino e Gilmar Mendes, que suspenderam pagamentos extras não previstos em lei no serviço público. No primeiro dia, apenas associações fizeram manifestações, e os votos serão proferidos em seguida.
O presidente do STF, ministro Edson Fachin, ressaltou que o pagamento acima do teto salarial é uma questão urgente que exige uma resposta rápida.
Antes do relatório do processo, Dino destacou que o debate visa valorizar o serviço público, respeitando a Constituição e sem atacar direitos dos servidores.
Ele observou que o teto salarial de R$ 46,3 mil é cumprido rigorosamente apenas no STF e em alguns órgãos, enquanto na maior parte, cada instituição aplica regras diferentes.
Gilmar Mendes reconheceu a autonomia administrativa do Judiciário e do Ministério Público desde a Constituição de 1988, mas frisou que isso não deve resultar em desorganização financeira.
Ele ainda apontou que o teto atual, que deveria ser o limite máximo, virou piso para muitos, tornando a situação complexa e necessitando de soluções criativas.
Grupo de trabalho para regra de transição
Na terça-feira, o STF e líderes do Congresso criaram um grupo de trabalho com prazo de 60 dias para desenvolver uma proposta sobre a transição dos pagamentos extras no serviço público. O grupo inclui representantes dos Três Poderes, Ministério Público e Tribunal de Contas da União (TCU).
A definição foi tomada em reunião com o presidente do STF Edson Fachin e presidentes da Câmara e do Senado, além dos ministros Gilmar Mendes e Flávio Dino.
O entendimento é de que uma solução definitiva deve sair do Congresso, por meio de legislação, possivelmente integrada à Reforma Administrativa em discussão.
Decisões recentes dos ministros
Dino deu prazo para que todos os níveis da federação revisem os pagamentos aos servidores e suspendam os que não têm previsão legal. Também proibiu novas legislações que criem benefícios que ultrapassem o teto constitucional.
Gilmar Mendes condicionou pagamentos de verbas indenizatórias no Judiciário e Ministério Público à existência de lei aprovada, com prazo para suspensão de pagamentos irregulares.
O teto do funcionalismo é o limite máximo que agentes públicos podem receber, definido pelo salário dos ministros do STF, atualmente R$ 46.366,19.
Pagamentos extras não legais têm elevado os valores recebidos acima desse teto, parte deles sem incidência de Imposto de Renda.
Tensão no STF
O julgamento ocorre em contexto de tensão interna na Corte, relacionada a outras questões institucionais.
Dino estabeleceu prazo de 60 dias para revisão e suspensão dos pagamentos extras irregulares, evidenciando a necessidade de ação do presidente do tribunal no enfrentamento do tema.
Decisões recentes apontam descumprimento da jurisprudência do STF sobre o teto salarial.
Levantamento mostra que os custos com esses pagamentos extras no Judiciário cresceram 43% de 2024 para 2025, chegando a R$ 10,3 bilhões.
Multiplicação anômala de benefícios
Dino destacou que nos últimos anos ocorreu uma expansão anormal de verbas classificadas como indenizatórias, usadas para burlar o limite constitucional.
Ele indicou a urgência de uma regulamentação pelo Congresso, mas avisou que a Corte poderá estabelecer uma solução transitória caso o Legislativo não atue.
O presidente da Câmara, Hugo Motta, manifestou disposição para editar lei sobre o teto de gastos, como enfatizado por Dino.
Motta afirmou que a decisão do ministro Dino é acertada e que há compromisso para discutir e debater o tema, respondendo às demandas da sociedade.

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