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Adilsinho usava casas alugadas para despistar a polícia

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Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, foi detido na manhã de quinta-feira (26) em uma ação conjunta da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco/RJ), com participação da Polícia Federal e Polícia Civil. A captura ocorreu em uma residência de Cabo Frio, Região dos Lagos, após uma minuciosa investigação de inteligência.

Durante cerca de dois meses de monitoramento, a polícia descobriu que Adilsinho adotava táticas estratégicas para evitar sua captura: ele não permanecia muito tempo no mesmo local e costumava ficar em casas alugadas. As investigações também revelaram que ele contava com uma equipe de segurança integrada por policiais.

Além da Região dos Lagos, o contraventor frequentemente viajava para áreas de fronteira, especialmente nos estados do Paraná e Mato Grosso. Essas viagens serviam tanto para despistar as autoridades quanto para buscar fornecedores no mercado ilegal de cigarros.

Adilsinho era alvo de investigações por diversos crimes no Rio de Janeiro e em outros estados, estando foragido da justiça. No momento da prisão, um policial militar também foi detido na mesma residência, supostamente membro da equipe de segurança do contraventor. Ação contou com o apoio do Serviço Aeropolicial.

Embora tenha iniciado suas atividades criminosas no Rio de Janeiro, Adilsinho expandiu seus negócios para cerca de dez estados, explorando principalmente o mercado ilegal de cigarros em pelo menos seis deles, além de atuar com jogos de bingos e cassinos em outras regiões do país, inclusive no Nordeste.

Havia um mandado de prisão em aberto expedido pela Justiça Federal contra ele, além de cinco mandados preventivos, quatro por homicídio e um por organização criminosa. As investigações indicam que ele ordenou o assassinato de Fabrício Alves Martins de Oliveira, ligado à máfia dos cigarros no Rio.

Integrante do alto escalão do jogo do bicho no Rio, Adilsinho é considerado o maior produtor e distribuidor de cigarros falsificados do estado. Junto dele, foi preso o policial militar Diego Darribada Rebello de Lima.

A prisão foi fruto de um trabalho coordenado da Ficco/RJ, que reúne a Polícia Federal e a Polícia Civil, e incluiu o levantamento de dados e informações de inteligência. Ele foi levado à Superintendência Regional da Polícia Federal no Rio de Janeiro e será encaminhado ao sistema prisional estadual.

Cassino online e mercado ilegal de cigarros

Segundo a polícia, Adilsinho está vinculado a um grupo que opera um cassino online clandestino, movimentando cerca de R$ 130 milhões em três anos. Ele controla a produção e comercialização de cigarros ilegais na Região Metropolitana do Rio, tendo expandido suas operações para outros estados.

Nascido em maio de 1970 em Duque de Caxias, Baixada Fluminense, Adilsinho veio de uma família de bicheiros tradicional na região. Seu pai era sócio da banca Paratodos e rapidamente enriqueceu com atividades ilegais. A família mudou-se para o Leblon, bairro nobre do Rio, onde ele cresceu e iniciou seu envolvimento com negócios ilícitos.

Com base no monopólio e na corrupção policial, Adilsinho construiu seu império, contando com pelo menos 34 policiais militares em sua escolta. Desde 2018, ele reinvestiu os lucros obtidos com jogos ilegais na produção e venda de cigarros clandestinos vendidos abaixo dos preços oficiais.

Festa no Copacabana Palace

Em maio de 2021, durante a pandemia de Covid-19, Adilsinho chamou atenção ao promover uma luxuosa festa black-tie no hotel Copacabana Palace, um dos mais prestigiados do país. O evento reuniu cerca de 500 convidados, entre familiares, amigos e artistas, para celebrar seu aniversário. Os convites foram enviados em vídeo, com trilha sonora inspirada na trilogia “O Poderoso Chefão”, que narra a história dos mafiosos da família Corleone.

Mais de dois anos depois, ele foi procurado por policiais civis em sua cobertura na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio, onde um mandado de prisão por homicídio foi apresentado, mas ele não foi encontrado no imóvel.

Além dos vínculos com o jogo do bicho e o comércio ilegal de cigarros, Adilsinho é suspeito de ser o mandante dos assassinatos de Marco Antônio Figueiredo Martins, conhecido como “Marquinho Catiri”, um miliciano, e Alexsandro José da Silva, o “Sandrinho”, conforme apuração da Delegacia de Homicídios da Capital.

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