Brasil
Prisão de Adilsinho: entenda a operação da PF contra a máfia dos cigarros
A captura de Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, na manhã desta quinta-feira (26), em Cabo Frio, Rio de Janeiro, é resultado direto da Operação Libertatis II, realizada pela Polícia Federal com objetivo de desmantelar uma das maiores organizações criminosas envolvidas no comércio ilegal de cigarros no estado.
Esta ação integra a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado, uma equipe conjunta que reúne a PF e a Polícia Civil do Rio, com atuação combinada para combater grupos criminosos no estado.
Início das investigações
As apurações que levaram à Operação Libertatis começaram em fevereiro de 2023, após a descoberta de três fábricas clandestinas de cigarro falsificado. Nessas fábricas, a Polícia Federal identificou trabalhadores paraguaios em condições análogas à escravidão, o que expandiu a investigação para incluir crimes como tráfico internacional de pessoas e exploração de trabalho escravo.
Com base nessas evidências, a PF revelou uma organização criminosa armada e transnacional que controlava territórios, usava violência e intimidação contra comerciantes e impunha a compra e revenda dos cigarros ilegais produzidos pelo grupo.
Estrutura da organização criminosa
Segundo a Polícia Federal, o grupo era bem estruturado, com divisão clara de funções. Existiam núcleos responsáveis pela fabricação dos cigarros, pelo fornecimento das matérias-primas, pela exploração da mão-de-obra estrangeira e um setor logístico encarregado do transporte da mercadoria.
A organização ainda contava com células de proteção, incluindo agentes públicos como policiais militares, bombeiros, um policial federal e um policial rodoviário federal, que protegiam a operação e facilitavam o trânsito dos produtos ilegais.
Os ganhos obtidos com o comércio ilícito eram lavados e enviados ilegalmente ao exterior, configurando crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
A Operação Libertatis II
Em março de 2025, a fase principal da Operação Libertatis II foi iniciada. A Polícia Federal executou 21 prisões preventivas, 26 buscas e apreensões, além de 12 medidas cautelares diversas, incluindo a suspensão de um policial rodoviário federal.
A justiça também determinou o bloqueio, sequestro e apreensão de bens avaliados em cerca de R$ 350 milhões, como imóveis, veículos de luxo, criptomoedas, dinheiro em espécie e depósitos bancários. Em uma das casas investigadas, na região de Duque de Caxias, foram encontrados R$ 48 mil em dinheiro.
As operações se estenderam por várias áreas do Rio de Janeiro e outros estados, como Espírito Santo, demonstrando o alcance interestadual da organização.
Função de Adilsinho na organização
De acordo com a Polícia Federal, Adilsinho está ligado à liderança do jogo do bicho no Rio e é considerado o maior fabricante e distribuidor de cigarros falsificados no estado. Ele estava foragido desde o início da Operação Libertatis II, com mandado de prisão emitido pela Justiça Federal, além de ser procurado pela Justiça Estadual por suspeita de ordens para homicídios.
A prisão de Adilsinho ocorreu em Cabo Frio com suporte do Serviço Aeropolicial. Após a detenção, ele foi levado à Superintendência Regional da Polícia Federal no Rio e posteriormente encaminhado ao sistema prisional.
Acusações e crimes
Os envolvidos na Operação Libertatis II podem responder por vários crimes, entre eles: organização criminosa, submissão a trabalho análogo à escravidão, tráfico de pessoas, crimes contra a saúde pública, fraude comercial, sonegação fiscal, crimes contra a relação de consumo, falsificação e uso de documentos falsos, violação de direitos autorais, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

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