Economia
Justiça barra ações do BRB ligadas ao Banco Master
A Justiça do Distrito Federal ordenou o bloqueio e apreensão das ações do Banco de Brasília (BRB) ligadas a investigados na Operação Compliance Zero, que investiga irregularidades associadas ao Banco Master.
A decisão liminar foi tomada pela 13ª Vara Cível do DF após solicitação do próprio BRB. A medida abrange participações acionárias avaliadas em cerca de R$ 376,4 milhões e impede a venda desses ativos.
O processo corre em segredo de justiça, porém o BRB divulgou um comunicado oficial informando ter solicitado esse bloqueio.
As ações bloqueadas estão relacionadas a pessoas físicas e fundos de investimento, incluindo Deneb Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia, Borneo Fundo de Investimento, Siracusa Fundo de Investimento, Delta Fundo de Investimento e Asterope Fundo de Investimento, além de empresas como Blue Solutions Asset Management e Casamata Administração e Participações.
De acordo com o Portal Metrópoles, o empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master; o ex-sócio Maurício Quadrado; o investidor Nelson Tanure; e o fundador da Reag, João Carlos Mansur, tornaram-se acionistas do BRB após comprarem ações por meio de terceiros apontados como “laranjas”. Com isso, o grupo Master/Reag passou a deter cerca de 25% do capital do banco público do Distrito Federal.
Compensação e investigação interna
No comunicado divulgado nesta quinta-feira (26), o BRB afirmou ter iniciado uma ação cautelar com pedido liminar para bloquear e apreender participações societárias detidas pelos réus no capital do BRB.
A instituição explicou que o objetivo é garantir o ressarcimento futuro dos prejuízos causados ao banco por operações envolvendo o Banco Master, que está em processo de liquidação extrajudicial.
O BRB declarou no processo que os empresários investigados teriam adquirido participação acionária de forma ilícita.
Além disso, informou que enviou um relatório preliminar da investigação interna à Polícia Federal. A apuração está sendo realizada pelo escritório Machado Meyer, com suporte da consultoria Kroll.
Prejuízos bilionários
O BRB está sob investigação pela compra de mais de R$ 12 bilhões em carteiras do Banco Master com indícios de fraude. A estimativa inicial aponta um prejuízo mínimo de R$ 5 bilhões, valor que será confirmado com a divulgação do balanço anual, prevista para março.
Em novembro de 2025, a Polícia Federal lançou a Operação Compliance Zero. O então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi afastado pela Justiça e posteriormente demitido.
Compra negada
Em 3 de setembro de 2025, o Banco Central rejeitou oficialmente a compra do Banco Master pelo BRB, após mais de cinco meses de análise. A proposta previa a aquisição de 49% das ações ordinárias, 100% das preferenciais e 58% do capital total do Banco Master.
O negócio, anunciado em março daquele ano, já enfrentava resistência no mercado devido ao modelo de captação considerado arriscado e à qualidade questionável de parte dos ativos da instituição.
O Ministério Público Federal havia recomendado que o BRB comprovasse a legitimidade e confiabilidade dos ativos antes de qualquer aquisição, alertando sobre possíveis passivos ocultos e ativos superavaliados.
Com a rejeição pelo Banco Central e o avanço das investigações, o BRB busca recompor sua liquidez e índices de capitalização, ao mesmo tempo em que tenta garantir o ressarcimento judicial dos prejuízos.

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