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Juíza que reclamou de custos com lanche e café recebe R$ 709,9 mil em salários em 2025
Cláudia Márcia de Carvalho Soares, juíza do Trabalho aposentada, que expressou insatisfação pela falta de reajuste anual nos salários dos magistrados e criticou os custos pessoais com “lanche e café” durante uma audiência no Supremo Tribunal Federal (STF), recebeu um total líquido de R$ 709.998 em salários ao longo do ano de 2025.
Atuando como presidente da Associação Brasileira de Magistrados do Trabalho (ABMT), ela manifestou-se contra as decisões dos ministros Flávio Dino e Gilmar Mendes, que suspenderam os pagamentos extras no serviço público sem respaldo legal.
O valor mensal do subsídio chega a R$ 42.749, totalizando pouco mais de R$ 512 mil anuais. No entanto, os ganhos são acrescidos por verbas qualificadas como “indenizatórias” e “direitos eventuais”, conforme dados do Painel de Remuneração dos Magistrados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
O maior salário foi registrado em dezembro, somando R$ 128.218, enquanto nos meses anteriores, novembro e outubro, foram de R$ 89.115. Desde agosto de 2024, Cláudia está isenta do Imposto de Renda, devido a uma condição médica grave reconhecida por lei.
Reivindicações da Juíza
Cláudia criticou a retirada dos benefícios adicionais chamados de penduricalhos, destacando que juízes de primeira instância enfrentam condições de trabalho precárias em comparação com magistrados superiores.
“Juízes de primeiro grau não dispõem de carro oficial, custeiam seu próprio combustível, não contam com apartamento funcional, plano de saúde ou refeitório. Não há água nem café, ministro Dino. No primeiro grau, essas despesas são por nossa conta”, declarou Cláudia.
Ela ainda ressaltou que o salário bruto de R$ 46 mil, após descontos da Previdência Social e Imposto de Renda, resulta em pouco mais de R$ 20 mil líquidos, ampliando a diferença para ministros e desembargadores, que possuem benefícios mais abrangentes.
Segundo a presidente da ABMT, a magistratura apresenta desigualdades salariais entre as justiças estadual e federal, o que enfraquece a atuação e demanda uma padronização das remunerações.
Suspensão da análise no STF
O Supremo Tribunal Federal adiou para 25 de março a decisão sobre as liminares que impedem o pagamento de valores acima do teto salarial. O presidente da Corte, ministro Edson Fachin, anunciou a criação de um grupo de trabalho que, em 60 dias, deverá propor uma regra de transição para o pagamento das verbas além do teto funcional.
Recentemente, o ministro Gilmar Mendes determinou que verbas indenizatórias só podem ser pagas a membros do Judiciário e do Ministério Público se estiverem previstas em leis aprovadas pelo Congresso Nacional. Ele estabeleceu um prazo de 60 dias para que os tribunais e Ministérios Públicos estaduais cessem esses pagamentos quando baseados em normas estaduais.

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