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PF Investiga Imóveis de Luxo ligados a Rodrigo Bacellar

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A vida patrimonial do deputado estadual Rodrigo Bacellar (União), atualmente afastado da presidência da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), está sendo alvo de investigação pela Polícia Federal. A apuração envolve suspeitas de vazamento de informações sigilosas e possível conexão com o Comando Vermelho, principal facção criminosa do Rio de Janeiro.

O relatório final da Operação Unha e Carne detalha a posse de imóveis de alto padrão, áreas de lazer sofisticadas e veículos de luxo vinculados ao parlamentar. Ao menos quatro propriedades associadas a Bacellar foram alvo de busca e apreensão.

Um dos imóveis que mais chamou atenção dos agentes é uma propriedade em Teresópolis, na Região Serrana, que se assemelha a um resort particular. Situado na Estrada Francisco Smilka, 3600, no condomínio Paço de São Luiz, em Quebra Frascos, o terreno conta com várias construções além da residência principal.

Conforme a PF, o local possui casa para hóspedes, uma residência para caseiro, academia, área gourmet próxima à piscina, capela e quadra poliesportiva. A casa principal tem três pavimentos e até um elevador interno. Os investigadores classificaram o imóvel como de “alto luxo”.

Na garagem, foi identificado pelos agentes um Mercedes-Benz GLE400D, avaliado em mais de R$ 850 mil. O porteiro informou que Bacellar e sua família utilizam a propriedade desde 2022. O relatório também registra o pagamento do IPTU em 31 de janeiro de 2024, no valor de R$ 21 mil.

Outro local vistoriado fica na Avenida Atlântica, em frente à praia do Leme, em Copacabana. A PF cumpriu mandado em um apartamento que ocupa todo o sexto andar de um prédio de 12 pavimentos, com cerca de 650 metros quadrados. O acesso foi dificultado pela porta blindada do imóvel.

O edifício mantém um controle rigoroso de acesso, com câmeras de segurança externas, vidros escuros nas janelas e seguranças monitorando a portaria via rádios.

Outro endereço inspecionado está na Rua Aires Saldanha, também em Copacabana, situado em um prédio com duas entradas — pela mesma rua e pela Avenida Atlântica — ocupando um andar completo no sétimo pavimento. A PF descreveu o imóvel como “sumptuosamente decorado, limpo e mobiliado”, porém com armários vazios e sem uso constante.

Foram encontradas geladeiras abastecidas com bebidas alcoólicas, equipamentos novos e um espaço chamado de “camarote para garçom”. O síndico relatou que Bacellar frequentava o local pelo menos duas vezes por semana por períodos curtos, entrando sozinho enquanto o motorista aguardava do lado de fora.

Em Campos dos Goytacazes, na Avenida Presidente Kennedy, no Parque Jockey Clube, os agentes estiveram em um terreno extenso e murado, com cerca de 70 mil metros quadrados.

A construção está em fase inicial e inclui uma estrutura principal de dois pavimentos em concreto, andaimes e áreas ainda abertas. Também há um campo de futebol com grama natural, quadra de vôlei de praia e piscina.

O responsável pela obra informou que o trabalho começou há cerca de sete meses e é realizado pela Construtora LJJ Fortunato.

O relatório da PF destacou o padrão elevado das propriedades e o uso restrito em alguns locais. Para os investigadores, esses bens evidenciam a necessidade de aprofundar a análise sobre a origem dos recursos financeiros e sua compatibilidade com os rendimentos declarados.

De acordo com levantamento do Globo, o patrimônio de Bacellar aumentou mais de 830% entre as eleições de 2018 e 2022. Em 2018, ao concorrer pela primeira vez ao cargo de deputado estadual, ele declarou R$ 85 mil em espécie. Em 2022, declarou R$ 793 mil em bens, incluindo aplicações financeiras, dinheiro em espécie e participação societária em empresa não identificada.

Uma cobertura em Botafogo, com vista para o Cristo Redentor, foi alugada pelo deputado por um valor abaixo do mercado, R$ 2,2 mil. O proprietário é Jansens Calil Siqueira, advogado e amigo pessoal de Bacellar, que também participou da compra da casa de Teresópolis junto ao deputado.

Em abril deste ano, o Conselho do Ministério Público decidiu encerrar a apuração dos dois casos por maioria de votos (sete a três). A relatora Ana Cíntia Lazary Serour votou pelo arquivamento, mas determinou a abertura de outro procedimento sigiloso para investigar a evolução patrimonial e possíveis atos de improbidade administrativa de Bacellar.

A defesa do deputado não se manifestou até a última atualização desta reportagem.

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