Brasil
Governo registra superávit de R$ 103,7 bilhões em janeiro
As finanças públicas terminaram janeiro com saldo positivo, apresentando superávit em todas as subdivisões do governo, seja federal ou regional. O setor público consolidado, que engloba União, estados, municípios e empresas estatais, obteve um superávit primário de R$ 103,7 bilhões no último mês.
Comparado a janeiro de 2025, houve uma leve diminuição no saldo, já que naquele período o superávit foi de R$ 104,1 bilhões.
Os dados fiscais foram divulgados nesta sexta-feira (27) pelo Banco Central (BC). O resultado primário corresponde à diferença entre receitas e despesas, sem contar o pagamento dos juros da dívida pública.
Durante os últimos doze meses, o setor público consolidado apresentou um déficit de R$ 55,4 bilhões, o que equivale a 0,43% do Produto Interno Bruto (PIB), que representa a soma de bens e serviços produzidos no país.
Em 2025, o setor público fechou o ano com déficit primário de R$ 55 bilhões, também 0,43% do PIB.
Divisão por esferas governamentais
Em janeiro, o Governo Central teve superávit primário de R$ 87,3 bilhões, diferentemente do resultado negativo de R$ 83,2 bilhões visto em janeiro de 2025. Esse número difere do divulgado pelo Tesouro Nacional, que apresentou déficit de R$ 86,9 bilhões, pois o Banco Central usa metodologia distinta, levando em conta variações na dívida dos entes públicos.
Os governos regionais, compostos por estados e municípios, apresentaram superávit de R$ 21,3 bilhões em janeiro, levemente inferior aos R$ 22 bilhões do mesmo mês em 2025, auxiliando no aumento do superávit consolidado.
Por outro lado, empresas estatais federais, estaduais e municipais — excluindo os grupos Petrobras e Eletrobras — contribuíram para reduzir o superávit consolidado, apresentando déficit de R$ 4,9 bilhões em janeiro, ante R$ 1 bilhão negativo no mesmo mês do ano anterior.
Os gastos com juros totalizaram R$ 63,6 bilhões, impactados pela elevação da taxa Selic e do estoque da dívida líquida no período. Consequentemente, o resultado nominal das contas públicas, que combina resultado primário e juros, caiu na comparação anual, com superávit nominal de R$ 40,1 bilhões em janeiro, contra R$ 63,7 bilhões no mesmo mês de 2025.
No acumulado dos últimos 12 meses até janeiro, o setor público enfrentou déficit de R$ 1,1 trilhão, equivalente a 8,49% do PIB. Este indicador é considerado por agências de classificação de risco ao avaliarem o endividamento nacional e é observado por investidores.
Dívida pública
A dívida líquida do setor público, que é o balanço entre créditos e débitos dos governos federal, estaduais e municipais, alcançou R$ 8,3 trilhões em janeiro, correspondendo a 65% do PIB, uma queda de 0,3 ponto percentual em relação ao mês anterior.
Essa redução é decorrente do superávit primário do mês, da evolução do PIB nominal e de ajustes na dívida externa líquida, embora tenha sido parcialmente compensada pelos juros nominais e pela valorização cambial de 4,9% em janeiro. Como o país é credor em moeda estrangeira, a alta do dólar resulta em aumento da dívida líquida.
A dívida bruta do governo geral (DBGG), que contabiliza somente os passivos dos governos federal, estaduais e municipais, chegou a R$ 10,1 trilhões, mantida em 78,7% do PIB, a mesma proporção do mês anterior. Assim como o resultado nominal, a dívida bruta é usada para fazer comparações internacionais.

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