Economia
ibovespa tem terceira queda seguida, mas sobe 4% em fevereiro
O Ibovespa registrou sua terceira baixa consecutiva após atingir recordes na última terça-feira, quando fechou próximo dos 191 mil pontos. Apesar da correção na última sessão da semana e do mês, o índice acumulou alta de 4,09% em fevereiro e 17,17% no primeiro bimestre, seu melhor desempenho para o início do ano desde 1999.
Durante a semana, o índice sofreu sua primeira perda semanal (-0,92%) desde o período entre 29 de dezembro e 2 de janeiro, encerrando uma série de sete semanas consecutivas de avanço.
Mesmo assim, a valorização de pouco mais de 4% em fevereiro prolongou para sete meses a sequência positiva iniciada em agosto de 2025, a mais longa desde o intervalo entre abril de 1996 e julho de 1997, que durou 16 meses.
Na sexta-feira, dia 27, o Ibovespa abriu em máxima de 191.005,02 pontos, mantendo o nível inédito de 191 mil pontos nos fechamentos de terça a quinta-feira, e atingiu a mínima do dia em 188.478,08 pontos. Ao final da sessão, fechou aos 188.786,98 pontos, em queda de 1,16%, com volume financeiro de R$ 35,7 bilhões.
Bruna Centeno, economista e advisor da Blue3 Investimentos, comenta:
“O IPCA-15, prévia da inflação oficial de fevereiro, foi de 0,84%, valor bem acima do esperado pelo mercado, contribuindo para a correção do Ibovespa na sessão, em um dia de abertura da curva de juros em diversos vencimentos”.
Bruna Sene, analista de renda variável da Rico, acrescenta:
“A primeira semana completa após o Carnaval teve bastante movimentação na Bolsa. O mercado iniciou positivo, mas o clima mudou com novos ruídos. No fechamento, o Ibovespa ficou equilibrado: pressionado pelo cenário internacional instável e por realizações de lucros após fortes altas, ainda contando com algumas blue chips que seguraram o índice”.
Entre os fatores de fundo, destacam-se tensões geopolíticas entre EUA e Irã, incertezas sobre a política comercial americana e o impacto da inteligência artificial em setores tradicionais, que pressionam as bolsas americanas e, consequentemente, a B3.
Em entrevista na Casa Branca, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que ainda não decidiu sobre o Irã, mas indicou que a opção militar não está descartada. Questionado sobre o uso da força contra Teerã, disse: “eu não quero, mas às vezes é preciso”. Esse contexto mantém a volatilidade nos preços do petróleo, afetando as ações da Petrobras, que caíram levemente (ON -0,05%, PN -0,71%), mas acumularam alta entre 4% e 5% no mês, e mais de 27% (PN) e 31% (ON) no ano. Em Nova York e Londres, os contratos futuros do Brent e do WTI subiram mais de 2,5%.
A principal ação do Ibovespa, Vale ON, caiu 0,83%, mas avançou 1,91% na semana e 4,92% no mês, acumulando ganho de 22,94% no ano. No setor bancário, o desempenho foi misto, com variações entre -2,70% (Santander Unit) e +0,81% (Bradesco PN), impulsionado pelo anúncio da consolidação dos negócios de saúde na BradSaúde. Entre os maiores ganhadores do Ibovespa estão Prio (+4,11%), Usiminas (+2,32%) e MBRF (+2,17%). No lado oposto, ficaram Cosan (-5,27%), Natura (-5,20%) e Caixa Seguridade (-4,05%).
Bruna Sene destaca que a semana foi confusa, com as bolsas americanas alternando quedas fortes e recuperações parciais, em meio a incertezas sobre a continuidade das tarifas dos EUA após derrota do governo Trump na Suprema Corte. Ela comenta: “O mercado ainda tenta entender qual será a versão final desse tarifaço e, para completar, novas preocupações com inteligência artificial retornaram ao radar”. Na sessão em Nova York, Dow Jones caiu 1,05%, S&P 500 -0,43% e Nasdaq -0,92%, com perdas de 3,38% no mês para o índice de tecnologia Nasdaq.
Para Bruna Centeno, apesar das incertezas crescentes, as ações ligadas a commodities foram um “ponto de equilíbrio” para a Bolsa brasileira, especialmente Vale e Petrobras, que deram suporte decisivo ao índice em momentos difíceis. O setor financeiro mostrou alternância entre dias de realização e recuperações, enquanto outros segmentos sofreram mais por balanços mais fracos e influência negativa dos mercados americanos.
Outro destaque positivo foi o câmbio, com o dólar apresentando uma sequência de quedas frente ao real. Na sexta-feira, a moeda americana teve nova baixa leve (-0,10%), cotada a R$ 5,1340, acumulando recuo de 0,81% na semana e 2,16% no mês.
Técnicos apontam uma leve desaceleração no ritmo de alta do Ibovespa, indicando espaço para alguma correção no curto prazo, embora sem motivos para alarme. O cenário permanece favorável, apesar do potencial para ajustes pontuais.
Quanto às expectativas para a próxima semana, os agentes estão mais otimistas. Na última edição do Termômetro Broadcast Bolsa, a parcela dos profissionais que espera alta do índice subiu de 25% para 50%, enquanto as estimativas de queda caíram de 50% para 25%. As projeções de estabilidade permaneceram em 25%.
Em dólar, no fechamento de janeiro, o Ibovespa estava em 34.561,30 pontos, refletindo a queda de 4,40% da moeda norte-americana frente ao real naquele mês. No final de fevereiro, o índice atingiu 36.771,90 pontos, com o dólar continuando em baixa no período.
Apesar das oscilações, o Ibovespa permanece longe do pico de julho de 2008 em termos de dólares. Naquele momento, ajustado pela moeda americana, o índice quase chegou a 45 mil pontos, com o dólar cotado em cerca de R$ 2,20. Para atingir patamares similares em dólares hoje, o Ibovespa precisaria chegar próximo de 240 mil pontos em termos nominais.

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