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Centro-Oeste

Presidente do BRB nega déficit em reunião na CLDF

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Terminou na tarde desta segunda-feira (2) a reunião entre deputados distritais e o presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Souza. O encontro na Câmara Legislativa teve como foco esclarecer o Projeto de Lei nº 2.175/2026, enviado pelo Governo do Distrito Federal (GDF), que propõe auxílio ao banco após prejuízos na compra de ativos ruins do Banco Master, estimados pelo gestor em até R$ 22 bilhões.

Antes da reunião, Nelson Souza permaneceu em isolamento na sala da presidência acompanhado por técnicos, evitando contato prévio com a imprensa.

Banco mantém operações

Durante o encontro, o presidente adotou postura responsável. Reconheceu irregularidades e impacto na imagem, mas garantiu que o BRB está funcionando normalmente. Destacou o pagamento de mais de 209 mil servidores, a operação de 25 programas sociais e a atuação como agente financeiro do Tesouro do Distrito Federal.

Nelson Souza explicou que o banco comprou cerca de R$ 12 bilhões em carteiras e que R$ 10 bilhões já foram liquidados ou substituídos. Ele ressaltou que números não auditados divulgados geram instabilidade e informou que auditorias forenses conduzidas pelas empresas Machado Meyer e Kroll estão em curso para determinar valores oficiais.

A direção do banco afirmou que o valor de R$ 22 bilhões é uma estimativa de ativos em avaliação, não um rombo financeiro confirmado, pedindo cautela na divulgação de dados preliminares.

Segundo deputados, Nelson Souza disse que os recursos a serem obtidos pela venda de terrenos não pagarão dívidas, mas garantirão a continuidade das operações do banco.

Alteração no tom da reunião

Embora a gestão tenha defendido sua posição, o ambiente foi marcado pelo recente estudo técnico da Consultoria Legislativa da CLDF (Conlegis), que alertou sobre os riscos do projeto de lei. A proposta prevê aportes de até R$ 6,6 bilhões e a venda de bens públicos, como a sede da Novacap e o Centro Administrativo (Centrad).

Os parlamentares questionaram pontos críticos, destacando a falta de estimativas de impacto fiscal, que contraria a Lei de Responsabilidade Fiscal. O valor de R$ 6,6 bilhões extrapola o limite de 16% da Receita Corrente Líquida (RCL) do Distrito Federal, aumentando o endividamento da região.

Dividendos e riscos

Antes da reunião, os deputados Fábio Félix (PSol), Jorge Vianna (PSD) e Pepa (PP) prepararam estudo junto com técnicos da Câmara. Eles questionaram por que o banco manteve a distribuição de 63% dos lucros em dividendos mesmo diante da crise que agora exige aporte financeiro público.

Nelson Souza alertou para consequências graves caso o banco deixe de funcionar, citando riscos ao sistema financeiro local, perda de 6.800 empregos, suspensão de crédito imobiliário e rural e paralisação dos serviços oferecidos pelo BRB Mobilidade e farmácias de alto custo. Ele finalizou perguntando: “Quem quer o fim do BRB?”

Próximos passos

Após a reunião, os deputados demonstram cautela e aguardam o envio de documentos complementares e informações detalhadas sobre a real situação financeira e riscos envolvidos. A intenção é garantir que qualquer auxílio não prejudique serviços essenciais nem resulte em transferência indevida de patrimônio público.

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