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Ex-secretária do Careca do INSS admite acesso a cofre de lobista, mas diz não saber sobre propina

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Em depoimento à CPI do INSS, Aline de Sá Cabral, ex-secretária, confirmou nesta segunda-feira (2) que tinha acesso ao cofre do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, para realizar pagamentos. Como ex-funcionária do lobista, uma figura central no caso de desvio em benefícios de aposentadoria, ela fazia retiradas e cuidava das tarefas do empresário.

O cofre estava localizado na empresa Brasília Consultoria. Aline admitiu que tinha autorização para pegar dinheiro para compras relacionadas ao escritório, mas afirmou não lembrar se isso foi para pagar propina a mando do ex-chefe.

Quando questionada pelo relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), sobre se separava dinheiro para o motorista para fins ilícitos, a ex-secretária respondeu:

— Não lembro. Pode ser que sim, mas não me recordo.

Indagada sobre a frequência dessas ocorrências, repetiu não se lembrar, dizendo que qualquer retirada precisava da autorização de Antônio.

Aline comentou que a quantia no cofre variava bastante, às vezes era grande, outras pequena, e que nunca tinha dado detalhes exatos do montante ali guardado.

Questionada se, como colaboradora próxima de Careca, teria adquirido passagens para ele e para Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, conhecido como Lulinha, negou essa informação.

Estava informado que a viagem de Lulinha a Portugal em 2024 foi custeada por Careca, segundo veículo de imprensa.

Aline esclareceu que, na época, já não comprava passagens porque havia passado para outra função na empresa de lobista.

Ela também revelou à CPI que participou da negociação de compra de um imóvel em Trancoso (Bahia) com Danielle Miranda Fontelles, ex-marqueteira do Partido dos Trabalhadores (PT).

Aline declarou que era funcionária pessoal de Antônio Carlos Camilo Antunes, principal operador do esquema fraudulento contra aposentados, responsável por compras de passagens e registros de imóveis.

— Fiquei sabendo que ele havia adquirido uma casa. Depois descobri quem era o dono — afirmou Aline.

Apesar de inicialmente desejar manter silêncio, Aline respondeu a algumas perguntas do relator e dos parlamentares.

Negou ter feito anotações sobre percentuais de propinas destinadas a dirigentes do INSS, como suspeita a Polícia Federal.

Quando indagada sobre seu conhecimento acerca de algumas das entidades suspeitas de envolvimento nas fraudes, preferiu não se manifestar.

Outro depoente esperado, o advogado Cecílio Galvão, que teria recebido R$ 4 milhões de entidades ligadas ao desvio de recursos dos aposentados, não esteve presente. A CPI busca sua condução coercitiva.

Após tumulto ocorrido na semana passada com a aprovação da quebra do sigilo de Lulinha, as atividades da CPI foram retomadas normalmente.

Governistas solicitaram a leitura da ata da reunião e manifestaram insatisfação com a aprovação coletiva de 87 requerimentos, incluindo a quebra do sigilo de Lulinha. O presidente da CPI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), reafirmou a decisão do colegiado e aguarda confirmação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

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