Economia
Entenda a Operação Compliance Zero da PF contra fraudes financeiras
A Polícia Federal está conduzindo a Operação Compliance Zero, que apura um esquema bilionário de fraudes envolvendo instituições financeiras e o mercado de capitais.
A operação já passou por três fases distintas, cada uma focada em diferentes aspectos da investigação. As apurações iniciaram em 2024, a pedido do Ministério Público Federal (MPF), tendo como principal alvo operações vinculadas ao Banco Master, controlado pelo banqueiro Daniel Vorcaro.
Os crimes sob investigação incluem gestão fraudulenta, manipulação de mercado, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Primeira fase: análise das carteiras de crédito
Em novembro de 2025, iniciou-se a primeira fase com foco na suspeita de emissão e comercialização de carteiras de crédito sem respaldo real.
Essas carteiras teriam sido vendidas a outras instituições financeiras como ativos legítimos, inflando artificialmente valores e ocultando prejuízos financeiros.
Nessa etapa, Daniel Vorcaro foi preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos ao tentar embarcar para Dubai, e posteriormente liberado por decisão judicial.
Durante as buscas, a Polícia Federal confiscou bens valiosos, incluindo uma aeronave avaliada em cerca de R$ 200 milhões.
Segunda fase: investigação dos fundos ligados à Reag
Em janeiro de 2026, a segunda fase ampliou as investigações a fundos de investimento supostamente usados para movimentar recursos ilícitos e esconder prejuízos.
Esses fundos estariam associados à gestora Reag Investimentos e teriam adquirido ativos sem valor real de mercado, mascarando deficiências financeiras e tornando operações irregulares aparentes legais.
Foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão, e bloqueados bens que somam mais de R$ 5,7 bilhões.
Terceira fase: novas prisões e bloqueio bilionário
Na fase mais recente, deflagrada nesta quarta-feira, novas medidas foram tomadas contra os investigados.
Daniel Vorcaro foi preso novamente, por ordem do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que agora conduz o caso.
Foram emitidos quatro mandados de prisão preventiva e 15 mandados de busca e apreensão em São Paulo e Minas Gerais.
Além disso, foi determinado o afastamento de investigados de cargos públicos e o bloqueio de bens que podem ultrapassar R$ 22 bilhões, visando impedir a movimentação dos ativos do grupo.
A investigação nesta etapa também aborda suspeitas de ameaças, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos eletrônicos.

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