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Economia

Daniel Vorcaro detido: investigação aponta esquema criminoso no Banco Master

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A recente detenção do ex-banqueiro Daniel Bueno Vorcaro durante a terceira fase da Operação Compliance Zero nesta quarta-feira trouxe de volta à atenção um dos aspectos mais delicados da apuração sobre o Banco Master: a suspeita de que as ações investigadas não foram resultado de um erro isolado, mas sim parte de um plano que teria se estendido por vários anos.

Com autorização do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a operação apura diversas evidências que indicam irregularidades financeiras e possível conexão com atividades criminosas organizadas.

Segundo o Ministério Público Federal em São Paulo, as provas coletadas pela Polícia Federal em uma investigação iniciada em janeiro deste ano sugerem a existência de uma organização criminosa consolidada desde a última década. Para os procuradores, o histórico das investigações anteriores reforça a ideia de uma progressão nas ações ilícitas, e não um evento isolado.

“Com base nas informações fornecidas pela Polícia Federal, há fortes indícios da presença de um grupo criminoso estruturado desde a última década”, declararam os representantes do MPF em documento nos autos judiciais.

O entendimento foi citado na decisão do ministro Dias Toffoli, do STF, em janeiro, que autorizou mandados de busca e apreensão contra Vorcaro e outros suspeitos, sob sua relatoria na Operação Compliance Zero.

Na decisão, o ministro mencionou que a investigação vai além dos fatos inicialmente levantados, destacando um “aparente uso sistemático de falhas do mercado financeiro e das autoridades reguladoras e fiscalizadoras”.

A Procuradoria também solicitou que o caso continue tramitando na Justiça Federal de São Paulo, devido à complexidade das operações financeiras envolvidas.

Risco ao sistema financeiro

Em etapas anteriores, a Polícia Federal indicou um possível risco sistêmico para o setor financeiro. A investigação analisa empréstimos estruturados, movimentações financeiras atípicas e operações em fundos de investimento que apresentaram retornos elevados em curto período.

Além disso, verificam-se transferências suspeitas, incluindo movimentações envolvendo parentes do controlador do banco.

A apuração busca identificar se foram utilizados mecanismos financeiros repetidamente para manter a liquidez e capitalização do banco durante um rápido crescimento nos últimos anos.

Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro afirmou que o Banco Master “não efetuou operações que beneficiem terceiros ou familiares do seu controlador”. Segundo os advogados, até a liquidação extrajudicial, o banqueiro realizou aportes contínuos para reforçar a saúde financeira da instituição e proteger credores e investidores.

“A defesa continua colaborando com as autoridades competentes e acredita que a total elucidação dos fatos afastará interpretações equivocadas que não correspondem à realidade”, destacou o comunicado.

A empresa Reag, também mencionada nas investigações, informou que não controla as companhias citadas e que os recursos questionados derivam de operações de crédito estruturado, com liberações condicionadas a cláusulas contratuais — procedimento considerado comum no mercado.

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