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Espanha recusa bases militares para ataques ao Irã e aumenta tensão com EUA
O primeiro-ministro espanhol, o socialista Pedro Sánchez, afirmou nesta quarta-feira (4) com um firme “não à guerra” diante das críticas do presidente americano Donald Trump por não permitir o uso das bases aéreas espanholas para ações contra o Irã.
“A posição do governo da Espanha pode ser resumida em três palavras: não à guerra”, declarou Sánchez no Palácio da Moncloa, em Madri, um dia após Trump criticar duramente a Espanha por sua postura durante esta crise.
Da Casa Branca, a resposta de Trump à decisão de negar o uso das bases de Rota e Morón, no sul da Espanha, foi definitiva. Ele ameaçou suspender as relações comerciais entre os dois países, classificando a decisão espanhola como um ato “hostil”.
“Não aceitaremos ser cúmplices de algo que é prejudicial ao mundo e contraria nossos valores e interesses, apenas por temor às represálias”, acrescentou Sánchez.
Este embate entre Sánchez e os Estados Unidos soma-se a outras tensões, como a recusa da Espanha em destinar 5% de seu PIB à defesa, conforme exigência de Trump para os aliados da OTAN, além das divergências em relação à ofensiva israelense na Faixa de Gaza.
Resposta da União Europeia
A União Europeia declarou-se nesta quarta-feira preparada para proteger seus interesses e os de seus membros após as ameaças de Trump de reduzir o comércio com a Espanha devido à recusa de Madri.
“Estamos totalmente solidários com todos os Estados-membros e seus cidadãos e, por meio de nossa política comercial comum, prontos para agir se for necessário para resguardar os interesses da UE”, afirmou o porta-voz da Comissão Europeia, Olof Gill, em comunicado.
Alemanha, França e Reino Unido demonstraram cautela em relação à operação militar dos EUA e Israel contra o Irã. França e Reino Unido manifestaram apoio a Chipre, que corre o risco de ser afetado pela escalada do conflito. Mesmo assim, Trump criticou o primeiro-ministro trabalhista britânico, Keir Starmer, por sua postura considerada moderada e por “não agir como Churchill”.
De acordo com Ángel Saz Carranza, diretor do instituto espanhol EsadeGeo, “a resposta da UE aos ataques contra o Irã não demonstrou muita coerência”.
Ele sugeriu que talvez os Estados Unidos tenham buscado alinhamento europeu em troca de continuarem a prestar apoio à Ucrânia.
Contexto interno e recordação da guerra do Iraque
Internamente, a posição de Sánchez reforça sua conexão com o eleitorado de esquerda, a menos de um ano das eleições gerais, enquanto ele enfrenta diversos escândalos de corrupção próximos a seu governo.
Com seu “Não à guerra”, Sánchez remeteu às manifestações expressivas na Espanha contra a invasão do Iraque em 2003, quando o então governo conservador de José María Aznar apoiou ativamente os Estados Unidos.
Muitos espanhóis responsabilizaram essa aliança pelos ataques terroristas jihadistas de março de 2004, que causaram 192 mortes e resultaram na vitória dos socialistas nas eleições realizadas poucos dias depois, levando Sánchez e seu partido ao poder.

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