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Netanyahu aposta tudo na guerra contra Irã
A poucos meses das eleições em Israel, a guerra contra o Irã representa uma chance para o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu recuperar sua imagem, bastante abalada desde o ataque ocorrido em 7 de outubro de 2023. Contudo, especialistas alertam que esse reforço na popularidade pode ser passageiro caso o conflito se estenda.
Após a confirmação da morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, em bombardeios realizados por Israel e Estados Unidos, Netanyahu declarou que sua proximidade com Washington possibilitou alcançar um objetivo buscado por quatro décadas: atingir de forma definitiva o regime considerado terrorista em Teerã.
O conflito em Gaza, provocado pelo ataque sem precedentes do grupo islâmico palestino Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023, afetou negativamente a popularidade do líder israelense. Seus opositores o culpam por não ter evitado o ataque.
Netanyahu, líder do partido de direita Likud e com 76 anos, é o primeiro-ministro que mais tempo governou Israel, somando 18 anos em diferentes mandatos. Sua resistência em crises é conhecida, porém atualmente ele não conta com maioria parlamentar devido a um desentendimento com grupos ultraortodoxos, que antes eram aliados.
Além disso, enfrenta um processo judicial por acusações de corrupção, para o qual solicitou perdão presidencial, com pressão do ex-presidente americano Donald Trump sobre o presidente israelense Isaac Herzog.
Eleição e estratégia
As eleições devem ocorrer até, no máximo, 27 de outubro. Segundo o analista político Emmanuel Navon, da Universidade de Tel Aviv, Netanyahu pode antecipar o pleito para evitar o impacto negativo do aniversário do ataque de 7 de outubro.
Desde que sofreu o golpe do Hamas, Netanyahu vem melhorando sua posição, devido às fortes ofensivas militares contra Hamas, Hezbollah e Irã. Pesquisas indicam que o Likud liderado por ele venceria se a eleição fosse hoje, embora ainda não tenha maioria consolidada com seus aliados atuais.
Com o recente ataque ao Irã, as previsões eleitorais podem se modificar. O analista geopolítico independente Michael Horowitz comenta que essa ação reforça a imagem de vitória que Netanyahu quer passar, vinculada ao seu lema de “vitória total”.
Realidade do conflito
Para o jornalista Raviv Druker, do Canal 13, Netanyahu tentará convencer o público de que a vitória é completa, mesmo que na prática o Hamas continue no controle de Gaza e o Irã permaneça ativo apesar do ataque.
Outro jornalista, Uriel Deskal, do site Walla, sugere que o primeiro-ministro poderia estar utilizando o estado de emergência para adiar a aprovação do orçamento, evitando que o governo caia antes das eleições e que isso o colocaria em uma posição política mais frágil.
Se a guerra contra o Irã for bem-sucedida, será um triunfo político para Netanyahu, mas se se prolongar, o cenário pode se deteriorar rapidamente, alerta Horowitz, destacando a baixa tolerância da população a conflitos longos, com muitas fatalidades e custos elevados.
Durante a guerra de junho, que durou 12 dias, mísseis iranianos causaram 30 mortes em Israel, e desde o sábado, mais 10 pessoas morreram em represálias iranianas. No Irã, 787 vítimas foram contabilizadas desde o início das ações militares por EUA e Israel, conforme o Crescente Vermelho do país.
Horowitz ressalta que as vitórias de Israel são atribuídas principalmente ao Exército e à resiliência da população, que conseguiu sustentar o conflito mais prolongado da história do país em sete fronts simultâneos (Gaza, Irã, Iêmen, Cisjordânia, Líbano, Síria e Iraque). Porém, enquanto a aprovação das Forças Armadas está elevada, a popularidade de Netanyahu não apresenta o mesmo crescimento.

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