Economia
Relator da CPI alerta sobre crime organizado na prisão de Vorcaro
O relator da CPI do Crime Organizado no Senado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), declarou nesta quarta-feira que a recente fase da Operação Compliance Zero, que resultou na prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, reforça fortes indícios de ação típica de crime organizado e justifica o aprofundamento das investigações no Congresso.
“As recentes notícias, incluindo a detenção de Vorcaro e de seus associados envolvidos em planejamentos violentos e corrupção de agentes públicos, evidenciam claramente uma atuação característica de um crime organizado altamente perigoso, o que torna imprescindível a intervenção da CPI no Senado”, afirmou.
A prisão decretada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), surpreendeu membros da CPI do Crime Organizado. Nos bastidores, parlamentares acreditam que essa nova prisão pode motivar Vorcaro a considerar um acordo de colaboração premiada.
Vorcaro estava convocado para depor na comissão, mas sua possível ausência já era prevista, especialmente após decisões do STF que flexibilizaram a obrigatoriedade da presença dele e de outros convocados. O que surpreendeu foi a determinação judicial que culminou numa nova prisão preventiva do banqueiro.
O cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, também foi preso preventivamente e se entregou à polícia.
O ministro Mendonça flexibilizou a obrigatoriedade da presença de Vorcaro na CPI, fundamentando-se no direito constitucional ao silêncio, que permite ao investigado optar por não depor sem sofrer sanções.
A notícia das prisões se espalhou rapidamente entre os senadores, mudando o clima da investigação e podendo dar novo impulso político às apurações, que vinham enfrentando obstáculos judiciais recentes, como a suspensão da quebra de sigilos relacionada à empresa Maridt Participações S.A.
Senador Sergio Moro (União-PR), titular da comissão, ressaltou a importância da medida, destacando que a liberdade de Vorcaro representava um risco à investigação devido ao seu poder econômico e influência.
O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), também membro da CPI, reconheceu que a ausência de Vorcaro era esperada, mas não previa uma prisão iminente.
A sessão da CPI agendada para esta quarta-feira foi cancelada após as decisões do STF, mas os trabalhos seguem, com análise documental e outras medidas.
A repercussão alcançou a Câmara dos Deputados, onde deputados que integram outras CPIs também ressaltaram a necessidade de prosseguir com as investigações e de explorar todos os desdobramentos, inclusive uma possível delação premiada que pode impactar o cenário político e institucional.
A terceira fase da Operação Compliance Zero, ocorrida nesta quarta-feira, incluiu mandados de prisão preventiva e buscas em São Paulo e Minas Gerais, além do afastamento de investigados de cargos públicos e bloqueio de bens que podem alcançar R$ 22 bilhões, visando interromper a movimentação financeira dos envolvidos.
A investigação da Polícia Federal apura um esquema fraudulento bilionário no sistema financeiro, com suspeitas de crimes que envolvem gestão fraudulenta, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa, utilizando estruturas financeiras para movimentar recursos de alto risco, ocultar prejuízos e influenciar investigações.
A operação Compliance Zero já passou por três etapas: a primeira investigou a venda de carteiras de crédito sem lastro, a segunda ampliou para o uso de fundos ligados à gestora Reag para movimentação de recursos, e a terceira fase autoriza novas prisões e medidas contra os investigados.

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