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PF encontra conversas de Vorcaro com senador Ciro Nogueira e investiga ordem de pagamento
A Polícia Federal localizou no celular do banqueiro Daniel Vorcaro mensagens trocadas com o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e instruções para pagamentos a alguém chamado ‘Ciro’, citado sem o sobrenome.
Consultado, Ciro Nogueira afirmou conhecer Vorcaro, porém negou proximidade e qualquer envolvimento com repasses financeiros. Segundo ele, a associação com seu nome é uma falsidade criada para prejudicar sua imagem pública.
Com base nos dados, os investigadores estão verificando eventuais suspeitas de crimes envolvendo o banqueiro e o parlamentar, que preside o PP nacionalmente.
Os dados foram encaminhados ao ministro do STF André Mendonça, responsável pela detenção preventiva de Vorcaro, cumprida recentemente. Esse contexto reforça a manutenção do inquérito sob jurisdição do STF.
Não existe ainda uma investigação formal contra o senador nessa operação. Ciro Nogueira é próximo de Vorcaro e, segundo fontes, foi ouvido previamente sobre negociações envolvendo o Banco Master e o Banco Regional de Brasília (BRB).
O grupo liderado por Ciro Nogueira, que inclui o presidente do União Brasil, Antônio Rueda, propôs aliança política para consolidar a campanha do atual governador do Distrito Federal ao Senado.
As conversas entre Ciro e Vorcaro abrangem temas políticos e pessoais, além de servirem para agendar encontros.
A Polícia Federal também encontrou mensagens de Vorcaro que denominam o senador como um ‘grande amigo de vida’ e celebram uma iniciativa legislativa de Ciro que favoreceu o Banco Master.
Uma mensagem datada de 13 de agosto de 2024, elogiando o que foi chamado de ‘bomba atômica no mercado financeiro’, coincide com a proposta de emenda constitucional encaminhada por Ciro Nogueira para ampliar o limite do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão.
Essa medida foi interpretada no meio político e financeiro como um gesto de benefício ao Banco Master, que utilizava a cobertura do FGC para impulsionar investimentos em seus Certificados de Depósitos Bancários (CDBs).
Além disso, mensagens indicam pagamentos a alguém chamado ‘Ciro’ em conversas entre Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, considerado operador financeiro do banqueiro.
Em maio de 2024, Zettel enviou uma lista solicitando autorização para diversos pagamentos, incluindo ‘Pagamento para Ciro’, e recebeu confirmação para proceder.
A investigação ainda não conseguiu acessar dados bancários para confirmar o destinatário desses valores, que pode ser o senador ou outro conhecido de Vorcaro com o mesmo nome.
Há também referência ao nome Ciro em diálogo do banqueiro com o deputado federal Fausto Pinato (PP-SP), que solicitou reunião envolvendo os três. O deputado não respondeu aos contatos para esclarecimentos.
Senador é o terceiro político citado
No curso da Operação Compliance Zero, em novembro, dois políticos já haviam sido mencionados. Ciro Nogueira surge como o terceiro envolvido.
O primeiro foi citado devido à apreensão de documento de transação imobiliária entre Vorcaro e o deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA), que não prosseguiu, mas serviu para requerimento de envio do caso ao STF, sem indícios de irregularidade.
Em depoimento à PF e ao STF, Vorcaro relatou encontros com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), sobre a venda do Banco Master ao BRB. A PF investiga possível prejuízo bilionário do BRB devido a carteiras fraudulentas de crédito consignado. Ibaneis negou envolvimento direto, ressaltando que o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, era responsável pelo tema.
Declaração do senador Ciro Nogueira
“Associar meu nome a pagamentos apenas pelo uso do primeiro nome em conversas, sem outros dados como sobrenome ou cargo, é irresponsável e leviano. Segundo dados do IBGE, existem mais de 11 mil pessoas chamadas Ciro no Brasil, incluindo um advogado na defesa de Vorcaro.
Interpretar que se trata de mim, senador Ciro Nogueira, é uma falsidade criada para manchar minha reputação. Embora conheça Daniel Vorcaro como conheço muitos empresários, ele nunca foi parte do meu círculo próximo.
Estou confiante na investigação da Polícia Federal, pois reafirmo que não tenho qualquer vínculo com as acusações contra o empresário.”

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