Economia
Tarifa de Trump prejudica vendas da Embraer e lucro cai 45% em 2025
As tarifas de importação aplicadas pelos Estados Unidos causaram uma perda de US$ 54 milhões nas vendas da Embraer para o mercado americano, principalmente no setor de jatos executivos, conforme anunciado pela fabricante brasileira nesta sexta-feira durante a divulgação de seus resultados.
O lucro líquido ajustado da empresa no ano registrou R$ 1,4 bilhão (US$ 253 milhões), representando uma redução de 45% em relação ao ano anterior, impactado pelas tarifas dos EUA e outros fatores excepcionais, conforme informou a companhia.
Considerando tanto os valores já pagos quanto os produtos em estoque, o efeito das tarifas americanas sobre a Embraer totalizou US$ 80 milhões, sendo que aproximadamente 85% desse montante afetou a divisão de aviação executiva.
Apesar desse cenário, a Embraer alcançou um desempenho positivo, registrando receitas de R$ 41,9 bilhões, um crescimento anual de 18% e o maior patamar em sua história, superando inclusive as expectativas da própria empresa.
Francisco Gomes Neto, CEO da Embraer, comunicou que as tarifas foram eliminadas a partir de 24 de fevereiro. Ele confirmou a isenção da tarifa de 10% para todos os motores e componentes produzidos pela companhia.
“Agora a tarifa é zero. Confirmamos a ausência da tarifa para motores e peças da Embraer. Ainda enfrentamos estoque taxado, mas prezamos por regras justas. A Embraer era a única fabricante pagando essas tarifas nas exportações. Essa foi uma decisão bastante benéfica”, declarou o CEO.
Francisco Gomes Neto também destacou que essa medida beneficiará clientes e fornecedores americanos, pois as companhias aéreas poderão atualizar suas frotas. Ele informou que cerca de 45% das peças utilizadas nas aeronaves da Embraer são americanas e espera que a eliminação das tarifas seja mantida a longo prazo.
O executivo afirmou que a empresa acompanha os desdobramentos dos processos referentes às seções 232 e 201, e não prevê alterações significativas para suas operações.
“Contudo, devido à incerteza geopolítica, há uma certa volatilidade, mas estamos otimistas quanto à continuidade deste cenário”, completou.
Francisco Gomes Neto ressaltou que a Embraer está atenta às decisões que outras fabricantes de aeronaves possam tomar em relação à recuperação das tarifas pagas, visto que várias empresas estão buscando ações judiciais para reaver os valores após decisão da Suprema Corte norte-americana que considerou ilegal a cobrança instaurada por Trump.
Quanto à situação no Oriente Médio, o CEO afirmou que a empresa monitora os funcionários e fornecedores na região, mas até o momento não identificou questões graves que comprometam as entregas previstas para o ano.
“Estamos adotando todas as medidas para mitigar riscos e cumprir as entregas planejadas para 2025”, afirmou.
Para este ano, a Embraer projeta a entrega de entre 80 e 85 jatos comerciais e de 160 a 170 jatos executivos, com receita estimada entre US$ 8,2 e US$ 8,5 bilhões até dezembro.

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