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Pernambuco foi uma república independente por 75 dias
A revolta que transformou Pernambuco em um estado independente de Portugal, antes mesmo da independência do Brasil, é comemorada todo 6 de março, no feriado conhecido como Data Magna do estado. Em 2026, este evento histórico completa 209 anos e é reconhecido como a primeira tentativa de implantar uma república nas Américas, ainda que tenha durado somente 75 dias.
Tudo começou no dia 6 de março de 1817, na cidade do Recife, motivado por um descontentamento geral devido aos altos impostos impostos pela Coroa portuguesa e pela crise econômica que afetava a capitania. Inspirados por ideias iluministas e por movimentos de libertação que ocorriam pelo mundo, militares, religiosos e comerciantes se uniram para criar um governo independente para Pernambuco.
Logo a insurreição recebeu apoio de vários setores da sociedade e se expandiu para outras capitanias do Nordeste, como Paraíba e Rio Grande do Norte. Os líderes organizaram um governo provisório e buscaram reconhecimento internacional para a nova república, enviando emissários para estabelecer relações externas.
Com um governo próprio, uma bandeira e até uma constituição provisória, a revolução pernambucana de 1817 simboliza a coragem do povo local, apelidado de Leão do Norte desde então. Os vestígios desse período histórico ainda estão presentes em símbolos estaduais, como a bandeira e o hino de Pernambuco.
Mesmo com a mobilização forte, a resposta da Coroa portuguesa foi rápida e severa. Tropas enviadas do Rio de Janeiro e da Bahia cercaram os revolucionários, encerrando o governo republicano após cerca de dois meses e meio.
A repressão posterior foi dura, com muitos líderes presos e executados, e Pernambuco sofreu punições administrativas, entre elas a perda da comarca do São Francisco, que foi anexada à Bahia para enfraquecer a capitania.
Entretanto, a celebração da Data Magna não foi imediata. O feriado estadual só foi instituído após uma longa luta política enfrentando resistência do setor empresarial. A iniciativa veio da deputada Teresinha Nunes, que teve que negociar um acordo complexo entre oposição e governo para avançar a proposta na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe).
Teresinha relatou: “Eu fui a autora do projeto de criação da Data Magna em 2007, mas só em 2017, quando se completaram 200 anos da revolução, conseguimos aprovar o feriado por lei. Havia muita resistência na Assembleia, pois as classes produtoras acreditavam que já existiam feriados demais. Mesmo assim, a aprovação foi possível após um acordo entre governo e oposição.”
Antes disso, a data já havia sido instituída por uma lei federal durante o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, porém, devido à pressão do empresariado, a lei não foi aplicada, o que levou a disputas judiciais. Em 2008, o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) chegou a determinar que o feriado fosse válido, mas esta decisão foi revertida.
Somente com a lei nº 16.059, de 8 de março de 2017, de autoria de Teresinha Nunes e do deputado Isaltino Nascimento, base do governo na Alepe, o feriado foi oficialmente instituído. Segundo Teresinha, a parceria entre oposição e governo foi fundamental para a aprovação.
Para ela, o principal objetivo de instituir o feriado foi incentivar os pernambucanos a conhecerem melhor a sua própria história. “Queria insistir na criação do feriado porque sabia que, quando as pessoas parassem para pensar ‘por que não estou trabalhando hoje?’, despertaria o interesse pela história de Pernambuco”, afirmou.

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