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México propõe reforma eleitoral polêmica
Claudia Sheinbaum, presidente do México, apresentou uma proposta de reforma eleitoral que visa diminuir os recursos e a influência dos partidos políticos na escolha dos candidatos. Embora haja grande apoio popular à proposta, a resistência até mesmo dentro de seu grupo político pode representar um desafio significativo para a líder.
No México, muitos eleitores consideram os partidos políticos como instituições corruptas e desconectadas das necessidades do povo, por isso a iniciativa recebeu acolhida positiva entre a população.
Uma pesquisa recente do instituto Enkoll apontou que mais de 80% dos cidadãos apoiam a escolha direta dos cargos públicos por voto e a redução do financiamento público para os partidos.
“Em que os partidos gastam o dinheiro? Nas eleições, eles compram votos. Eu já vi isso”, comentou à AFP Silvia Zapata, comerciante de 69 anos e simpatizante do Morena, partido de Sheinbaum.
Após diversas negociações e ajustes, Sheinbaum enviou ao Congresso um texto que suavizou a proposta inicial, retirando medidas mais drásticas contra o orçamento e a estrutura do Instituto Nacional Eleitoral (INE).
Ainda assim, especialistas, partidos de oposição e até aliados, como o Verde e o do Trabalho, criticam a proposta, temendo que cortes nos recursos prejudiquem partidos menores e fortaleçam o Morena, transformando-o em um novo partido dominante, além de enfraquecer o INE.
Detalhes do corte no orçamento
A reforma prevê uma redução de 25% no financiamento dos partidos políticos, limitando o orçamento público repassado e aumentando o controle sobre doações feitas por pessoas físicas. Contribuições de empresas já são proibidas.
Além disso, a proposta diminui o tempo destinado à propaganda eleitoral em rádio e televisão financiada com recursos públicos.
Em 2023, os seis partidos ativos receberam juntos cerca de 445,4 milhões de dólares, dos quais o Morena obteve 35%.
Impacto na escolha dos candidatos
A reforma quer eliminar as listas proporcionais que dão assentos no Congresso a parlamentares escolhidos indiretamente, de acordo com o total de votos obtidos pelo partido.
Atualmente, 200 dos 500 deputados e 32 dos 128 senadores são eleitos dessa forma. A proposta de Sheinbaum é que todos os deputados sejam escolhidos por voto direto e que esses 32 assentos no Senado sejam suprimidos.
Sheinbaum afirmou que “não serão mais listas definidas por poucas pessoas. Quem quiser votar precisa fazer campanha e pedir o voto popular.”
Especialistas alertam que essa mudança pode reduzir a representação dos partidos menores.
Críticas e riscos da reforma
Partidos de oposição, como o PAN (direita), e aliados como o PT (esquerda) argumentam que a reforma enfraquece a democracia e diminui a diversidade política.
O PT declarou rejeitar o retorno a um modelo de “partido de Estado”, insinuando que o Morena quer substituir o antigo partido dominante, o PRI, que governou o México durante grande parte do século XX.
O Partido Verde, aliado do Morena, adotou uma posição mais cautelosa, afirmando que analisará a proposta.
Especialistas também alertam que a redução no orçamento pode transformar os partidos em meras máquinas eleitorais focadas nas campanhas, levando-os a buscar fontes irregulares de financiamento.
Ao promover esta reforma sem apoio total de seus aliados, Sheinbaum enfrenta a possibilidade de sua primeira grande derrota política, embora ela minimize esse risco.
“Para mim, é uma conquista apresentar uma proposta que as pessoas solicitaram. Se não for aprovada, paciência”, disse Sheinbaum.

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