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Armas acessíveis mudam o conflito no Oriente Médio
Em todos os conflitos, as guerras atuam como testes para o uso de novas armas ou tecnologias até então pouco conhecidas. A disputa atual entre o Irã, os Estados Unidos e Israel não é exceção.
O “pardal azul” israelense
Os israelenses utilizaram mísseis Blue Sparrow para eliminar o líder supremo iraniano Ali Khamenei em 28 de fevereiro, segundo reportagens do The Wall Street Journal e do Financial Times.
O Blue Sparrow, lançado por aviões F-15, sobe até 100 quilômetros de altitude e atinge o alvo com grande velocidade.
Desenvolvido pela empresa israelense Rafael, que mantém sigilo sobre o programa, esse míssil faz parte de uma família que inclui também o Black Sparrow e o Silver Sparrow, inicialmente projetados como alvos para sistemas de defesa antimísseis.
Com 6,5 metros de comprimento e pesando 1.900 quilos, o Blue Sparrow foi desenvolvido para interceptar mísseis como os Scud-C/D iraquianos.
Na guerra de 12 dias entre Israel e Irã em junho de 2025, os mísseis Blue Sparrow e Silver Sparrow atingiram alvos a grandes distâncias — 1.000 quilômetros para o Blue Sparrow e 2.000 para o Silver Sparrow — conforme declarou o general Jérôme Bellanger, chefe do Estado-Maior da Força Aérea e do Espaço da França.
Esse alcance permite que os aviões que lançam os mísseis mantenham distância segura, fora do alcance dos sistemas antiaéreos inimigos.
Lucas, o drone kamikaze americano
O Lucas é um drone kamikaze de longo alcance e baixo custo inspirado no Shahed-136 iraniano. Ele tem formato de asa voadora e foi considerado “indispensável” pelo almirante Brad Cooper, comandante do Centcom americano.
Segundo o almirante, o drone foi inicialmente um projeto iraniano desmontado, modificado com tecnologia americana e reaplicado contra o Irã.
Ele foi usado pela primeira vez no começo do conflito, lançado de um país no Golfo por uma unidade chamada Task Force Scorpion Strike.
Produzido pela SpektreWorks, o Lucas deriva do drone-alvo FLM136, capaz de voar a 137 km/h por até 800 quilômetros.
Com custo aproximado de 35 mil dólares (R$ 180 mil), o Lucas pode ser empregado em grande volume, enquanto um míssil de cruzeiro mais avançado custa acima de 1 milhão de dólares (R$ 5,15 milhões).
O Shahed-136, usado em larga escala pelo Irã e também fornecido à Rússia para conflitos, serviu de base para o desenvolvimento do Lucas.
O avanço do míssil PrSM
O Precision Strike Missile (PrSM) é um míssil balístico tático que substitui o ATACMS, largamente requerido pela Ucrânia para ataques a longa distância contra tropas russas.
Disparado pelo lançador Himars, o PrSM estreou no campo de batalha no Oriente Médio, de acordo com o Centcom.
Enquanto o ATACMS alcança 300 quilômetros, o PrSM atinge mais de 400 quilômetros, significando um avanço importante na precisão e alcance de ataques, conforme informações do Exército americano.
Desenvolvido pela Lockheed Martin, que recebeu um contrato de 4,9 bilhões de dólares em março de 2025 para sua fabricação, o míssil está previsto para ser produzido a uma taxa de 400 unidades por ano.
Futuras versões prometem estender seu alcance para até mil quilômetros, aumentando ainda mais sua eficácia.

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