Economia
Crédito privado enfrenta saques e fundos limitam retiradas
Parecia ser a melhor fase para o crédito privado quando a BlackRock Inc. investiu US$ 12 bilhões para adquirir a HPS Investment Partners, uma das principais gestoras globais de investimentos alternativos, focada principalmente em crédito privado, com a promessa de oferecer a milhões de investidores de varejo retornos atrativos nesses ativos.
No entanto, as expectativas da BlackRock relacionadas ao crédito privado para o varejo encontraram resistência no mercado.
Oito meses depois, a BlackRock enfrenta uma onda de resgates por parte de alguns clientes, preocupados com uma possível série de falências de empresas potencialmente afetadas pela inteligência artificial. Por isso, a BlackRock teve que limitar os saques em um de seus maiores fundos de crédito privado após um aumento significativo nos pedidos de resgate, um indicativo da apreensão crescente dos investidores em relação ao setor, que está avaliado em US$ 1,8 trilhão.
O HPS Corporate Lending Fund, de US$ 26 bilhões, um dos maiores fundos focados em empresas privadas, informou em um comunicado recente que os acionistas solicitaram o resgate de 9,3% de suas cotas.
Entretanto, a administração decidiu restringir esses resgates a 5%. Embora o valor total das cotas solicitadas fosse cerca de US$ 1,2 bilhão, segundo cálculos da Bloomberg, os investidores receberão aproximadamente US$ 620 milhões, que o fundo mantinha ao final do último ano.
Esta é a situação mais clara de restrição de saques entre os principais fundos de crédito privado desde o final do ano passado, quando os investidores passaram a demonstrar maior cautela com essa classe de ativos, após falências de grande impacto levantarem dúvidas sobre os critérios de empréstimo adotados.
Gestão de liquidez
A BlackRock explicou que essa medida está alinhada com sua política de gestão de liquidez para o principal produto de crédito direto ao consumidor, conhecido como HLEND, sendo uma característica essencial desse investimento.
“Sem essa restrição, ocorreria uma discordância estrutural entre o capital dos investidores e a duração esperada dos empréstimos de crédito privado onde o HLEND aplica recursos”, declarou a empresa.
As ações da BlackRock caíram até 8,3% recentemente, enquanto os papéis de outras gestoras especializadas em ativos alternativos, como KKR & Co. e Ares Management Corp., também sofreram quedas, marcando o pior começo de ano em uma década.
Os fundos de crédito privado em geral se preparam para uma onda de pedidos de resgate, diante do aumento da preocupação com as práticas de empréstimo do setor e a exposição a empresas que podem ser afetadas pela inteligência artificial.
Com os pedidos de resgate ultrapassando os limites de 5%, empresas como a BlackRock enfrentam decisões complexas sobre a oferta de liquidez aos investidores, conforme analisado por Glenn Schorr, da Evercore ISI, em seu relatório.
“Manter o limite de 5% é a decisão acertada, pois garante a solidez dos fundos privados, protege o fundo de precisar vender ativos forçadamente e previne o aumento de alavancagem”, afirmou Schorr.

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