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Grupos criminosos no Brasil agem como multinacionais, diz chefe da PF

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Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, afirmou que organizações criminosas no Brasil expandem suas operações internacionalmente e agem como verdadeiras multinacionais ilícitas.

Ele ressaltou que a visão tradicional de crime organizado, restrita a líderes armados em favelas, não corresponde mais à realidade. Como exemplo, citou as investigações relacionadas ao Banco Master, que foi liquidado pelo Banco Central e era controlado pelo empresário Daniel Vorcaro. Nessa situação, identificou-se claramente uma organização criminosa em ação.

O crime organizado enfrentado atualmente possui características muito diferentes, conforme explicado por Rodrigues em um evento do Valor Econômico em São Paulo. Além disso, grupos envolvidos na tentativa de golpe de Estado após as eleições presidenciais de 2022 também foram classificados como organizações criminosas, assim como outros grupos investigados que atuam em múltiplos setores.

Foco nas finanças

O diretor chamou atenção para a atuação de criminosos que transitam legalmente entre mercados financeiros e círculos de poder, tentando influenciar a economia.

Ele destacou que essas organizações buscam infiltrar-se no setor legal por meio de crimes de colarinho branco para impactar segmentos econômicos específicos.

Recentemente, operações conjuntas do Ministério Público, Polícia Federal e Receita Federal desmantelaram esquemas ilegais envolvendo empresas dos setores financeiro, de combustíveis e a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), o maior grupo de tráfico de drogas do país.

A estratégia para combater esses grupos complexos baseia-se em cooperação institucional e compartilhamento de informações entre órgãos como Receita Federal, Banco Central, Controladoria Geral da União, inteligência do INSS e secretarias estaduais de Fazenda.

Segundo Rodrigues, o principal alvo da Polícia Federal é sufocar as finanças desses criminosos. Só em 2025, foram apreendidos quase R$ 11 bilhões em bens ligados ao crime organizado, incluindo veículos, propriedades, aeronaves, embarcações e dinheiro. Destes, cerca de R$ 2 bilhões vieram de uma única conta no caso Banco Master.

Autonomia na investigação

No mesmo evento, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, garantiu a autonomia técnica da Polícia Federal, apesar da vinculação administrativa ao Ministério da Justiça. Segundo ele, a instituição mantém altos padrões de excelência reconhecidos pela população.

Entre os temas delicados está a tensão entre a PF e o Supremo Tribunal Federal (STF) devido às investigações, especialmente após o ministro Dias Toffoli ser citado em mensagens relacionadas ao caso Banco Master e pedir para se afastar da relatoria do inquérito.

Impactos e desafios

Em encontro ministerial do STF, a atuação da Polícia Federal foi criticada por suposta falta de autorização judicial prévia para investigar autoridades com foro privilegiado. Contudo, a PF defende a legalidade de suas ações.

Rodrigues também alertou sobre o risco de infiltração de grupos criminosos nas eleições, dizendo que já existe um projeto de segurança para o pleito, que envolve o combate à entrada dessas organizações no sistema eleitoral e nas campanhas políticas.

Os trabalhos realizados nas eleições municipais de 2024 já fornecem indicações do que pode acontecer nas eleições gerais deste ano.

Visão crítica sobre segurança pública

Renato Sérgio de Lima, presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, avaliou a recente aprovação da PEC da Segurança Pública como uma oportunidade para repensar as regras, mas ressaltou que ela não deve resolver de forma eficaz os problemas, especialmente no que diz respeito à lavagem de dinheiro.

Ele alertou para os impactos negativos do crime organizado na economia brasileira, que estaria sendo capturada por essas organizações, colocando o país em trajetória preocupante semelhante à do México e à Itália quando enfrentou máfias.

Por sua vez, a superintendente regional da Receita Federal em São Paulo, Márcia Cecília Meng, criticou a PEC por não incluir medidas preventivas suficientes contra lavagem de dinheiro. Leandro Piquet Carneiro, da Universidade de São Paulo, também expressou desapontamento pela falta de avanços em investigações financeiras no texto.

Para o procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, a PEC representa um sinal de comprometimento do Estado, mas o combate deve ser coordenado e livre de influências políticas.

O evento contou com patrocínio de várias instituições renomadas, incluindo BTG Pactual, Febraban, FenaSaúde, Gerdau e Philip Morris Brasil, além de apoio de Assaí e Embraer.

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