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Economia

Guerra e alta do petróleo pressionam economia do Brasil

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O início de 2026 trouxe desafios para a economia mundial, similar ao que ocorreu com o choque tarifário em 2025, desta vez devido ao conflito no Oriente Médio. Esses eventos aumentaram a preocupação com a oferta de petróleo, resultando no aumento do preço do barril do tipo Brent acima de US$ 100, pela primeira vez desde a invasão da Ucrânia em 2022.

Além da instabilidade internacional, as dúvidas sobre a situação fiscal do Brasil tornam o cenário econômico mais incerto. O país tem um desafio importante com o ajuste das contas públicas previsto para 2027, essencial para manter a redução gradual dos juros.

Isso afeta todas as previsões para o Brasil, especialmente no que diz respeito à possibilidade de redução da taxa básica de juros, a Selic, na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para 18 de fevereiro de 2026.

Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, alerta que haverá uma pressão inflacionária temporária que pode piorar tanto os índices como as expectativas econômicas. Ele destaca que os preços da Petrobras estão defasados e é provável que a estatal repasse esses custos ao consumidor. A inflação mantém-se resistente em cerca de 4,5%, ainda longe da meta oficial.

Antes do conflito, os indicadores de inflação mostravam sinais de fraqueza, como refletido pelo IPCA-15 (prévia da inflação). Contudo, a crise gerou um cenário mais desafiador.

Oportunidade para o Brasil

Por outro lado, a situação pode beneficiar o Brasil, que é um grande exportador, fortalecendo a balança comercial. O economista-chefe do BTG Pactual e ex-secretário do Tesouro, Mansueto Almeida, observa que mesmo com os choques, a taxa de câmbio permaneceu estável, o que ajuda a conter algumas pressões inflacionárias.

Enquanto os preços do petróleo subiram, a expectativa dominante é de que esses aumentos sejam temporários, o que ainda aguarda a decisão do Banco Central, que deve iniciar o ciclo de cortes nos juros.

Antes da crise, o país já se encontrava em um bom momento econômico, com indicadores positivos no mercado de trabalho. No trimestre final de 2025, a taxa de desemprego caiu para 5,1%, a mais baixa da série histórica, e a taxa anual se situou em 5,6%. O mercado de ações também batia recordes, atraindo investidores internacionais interessados em diversificar seus investimentos no Brasil.

O PIB brasileiro vem crescendo de forma consistente nos últimos cinco anos, alcançando alta de 2,3% em 2025, segundo dados do IBGE. Contudo, houve uma desaceleração significativa no final de 2025, e as previsões para 2026 são moderadas, com crescimento estimado até 2,5%. O principal desafio para 2027 continua sendo o baixo nível de investimentos no país.

Apesar de obstáculos globais, como o aumento de tarifas do governo Trump que afetaram exportações, a economia brasileira conseguiu se adaptar, encontrando novos mercados, segundo Claudio Considera, coordenador do Núcleo de Contas Nacionais da FGV Ibre.

Mansueto Almeida ressalta que a desvalorização do dólar contribuiu para a redução da inflação no Brasil e em outros países emergentes, beneficiando o mercado financeiro local. Dados do Instituto de Finanças Internacionais mostraram que, em janeiro de 2026, o Brasil e a China foram os países que mais atraíram investimentos em renda fixa e variável.

Esse cenário propiciou uma abertura inesperada de oportunidades para ofertas públicas iniciais (IPOs), com a bolsa brasileira superando os 190 mil pontos em fevereiro de 2026, o que deve estimular novas operações ainda no primeiro semestre do ano.

Desafios fiscais

O maior problema para a economia brasileira é o desequilíbrio das contas públicas. Marcus Pestana, diretor executivo da Instituição Fiscal Independente (IFI), destaca que a dívida bruta pública está em crescimento constante, o que exige a geração de superávits primários superiores a 2% do PIB para conter esse avanço.

O foco do governo na meta fiscal menos rigorosa enfraqueceu a estrutura fiscal do país. A dívida pública segue uma trajetória insustentável, conforme Mansueto Almeida, que projeta um crescimento de até 10 pontos percentuais do PIB até o final do mandato, ultrapassando 80% do PIB e dificultando a recuperação do grau de investimento.

Marcos Mendes, pesquisador do Insper, chama atenção para o fato de que a crise pode criar uma impressão falsa de melhoria fiscal por meio do aumento da receita com royalties do petróleo. Contudo, esse benefício será compensado por maiores gastos com juros e possíveis impactos inflacionários, inclusive com a desvalorização do real. Caso os preços do petróleo permaneçam elevados por muito tempo, os efeitos serão severos.

Apesar das dificuldades, 2026 começou com avanços esperados em reformas estruturais, como a reforma tributária, que está sendo implementada gradualmente após longos anos de discussão, embora seus efeitos ainda demorem a ser sentidos.

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