Conecte Conosco

Brasil

Câmara libera uso imediato de tornozeleira eletrônica para agressores em risco

Publicado

em

A Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que autoriza o juiz a determinar o uso imediato de tornozeleira eletrônica para agressores quando houver risco para a mulher em situação de violência doméstica e familiar. A proposta segue agora para o Senado.

De autoria dos deputados Marcos Tavares (PDT-RJ) e Fernanda Melchionna (Psol-RS), o Projeto de Lei 2942/24 foi aprovado com substitutivo da relatora, deputada Delegada Ione (Avante-MG).

Segundo o texto, o delegado de polícia também poderá aplicar a medida em localidades sem juiz, informando o Ministério Público e o juiz em até 24 horas, que decidirá sobre a manutenção da medida.

Atualmente, o afastamento imediato do lar é a única proteção adotada pelo delegado nesses locais para proteger a vítima.

Medida protetiva

A imposição do uso da tornozeleira passa a ser considerada uma medida protetiva de urgência prevista na Lei Maria da Penha, podendo ser usada juntamente com outras medidas.

Em tais casos, a vítima deve receber um dispositivo de segurança para alertá-la sobre a aproximação do agressor.

A prioridade de uso da tornozeleira ocorre em casos de descumprimento de medidas protetivas anteriores ou quando existe risco iminente à mulher.

Se o juiz decidir pela suspensão do uso da tornozeleira, deverá justificar claramente os motivos da decisão.

Recursos ampliados

Para facilitar o acesso aos aparelhos de monitoramento, o projeto aumenta de 5% para 6% o percentual do Fundo Nacional de Segurança Pública destinado ao enfrentamento da violência contra a mulher, incluindo o custeio da compra e manutenção das tornozeleiras.

O texto também prioriza a reserva orçamentária para a compra e manutenção dos dispositivos de segurança para vítimas.

A lei 14.899/24 é alterada para tornar permanente o programa de monitoramento eletrônico e de acompanhamento a mulheres em situação de violência.

O programa cobrirá o fornecimento de unidade portátil de rastreamento para a vítima, com alerta automático simultâneo para ela e para a polícia quando o agressor violar o perímetro determinado judicialmente.

Aumento de pena

O projeto eleva a pena por descumprimento de medidas protetivas relacionadas às áreas de exclusão monitoradas eletronicamente, ou à violação dos dispositivos, de 1/3 para até metade da pena atual de 2 a 5 anos de reclusão.

Campanhas de conscientização

As campanhas sobre o enfrentamento da violência contra a mulher deverão incluir informações sobre procedimentos policiais, prevenção à revitimização, funcionamento das medidas de urgência e monitoramento eletrônico.

A deputada Soraya Santos (PL-RJ) defendeu a aprovação do projeto. “Se essa lei for implementada corretamente, vai salvar vidas”, afirmou ao apresentar o relatório da relatora.

Ela destacou que, após o Rio de Janeiro vincular medidas protetivas ao uso da tornozeleira eletrônica, as mortes de mulheres vítimas de violência zeraram.

Soraya Santos explicou que a relatora não estava presente e pediu que o texto fosse lido em Plenário devido à importância da lei. “Cada dia sem esta lei é um risco para vidas”, declarou.

A autora da proposta, deputada Fernanda Melchionna, reforçou a eficácia da medida para proteger mulheres. “No Rio Grande do Sul, das 869 mulheres com essa proteção, todas permanecem vivas”, elogiou.

Clique aqui para comentar

Você precisa estar logado para postar um comentário Login

Deixe um Comentário

Copyright © 2024 - Todos os Direitos Reservados