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Economia

Fazenda avalia impacto do aumento do petróleo na economia

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O Ministério da Fazenda está preparando um estudo técnico para analisar como o aumento do preço do petróleo pode afetar a economia do Brasil. Paralelamente, o Ministério de Minas e Energia (MME) monitora as cadeias globais de suprimentos dos derivados de petróleo e a logística interna do abastecimento de combustíveis.

O governo do presidente Lula considera que as flutuações recentes no preço internacional do petróleo estão dentro dos limites previstos, apesar da grande volatilidade. Em comunicado, o MME afirmou que, mesmo diante do cenário instável, a exposição direta do Brasil ao conflito no Oriente Médio é pequena.

Na última terça-feira, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que, a pedido do presidente Lula, o ministério está analisando diferentes cenários de preços para o barril de petróleo e políticas possíveis para apresentar ao presidente. Ele ressaltou que os preços têm variado bastante e que a pasta prefere evitar decisões hâtivas.

Haddad declarou: “Não podemos tomar decisões precipitadas baseadas nas oscilações diárias do preço do petróleo. É necessário acompanhar a evolução, criar cenários que vão desde os mais brandos até os mais críticos, e apresentar ao presidente alternativas para cada situação.”

Esses estudos estão sendo conduzidos pela Secretaria de Política Econômica (SPE), que em breve vai divulgar uma nota explicativa detalhando o impacto das alterações no preço internacional do petróleo para o cenário econômico brasileiro. O documento mostrará também o efeito de diferentes cenários para o preço do barril, dada a alta volatilidade influenciada pelo contexto geopolítico relacionado à guerra no Oriente Médio.

A SPE está desenvolvendo um modelo para estimar os efeitos das variações no preço do petróleo sobre a inflação, a arrecadação de impostos e o Produto Interno Bruto (PIB).

Na terça-feira, a cotação do barril Brent chegou a cair 10%, após o presidente americano, Donald Trump, afirmar que o conflito no Irã pode estar perto do fim. Na hora da redação deste texto, o barril estava cotado a US$ 91.

Segundo o governo do Lula, não é prudente tomar medidas imediatas sobre o repasse do preço do petróleo ao consumidor final. A possibilidade de o barril chegar a US$ 120, como indicam alguns analistas pessimistas, preocupa aliados do presidente, pois o Brasil ainda importa parte do combustível, mesmo sendo um grande produtor. Um preço tão elevado causaria um impacto inflacionário significativo.

Em resposta às ações militares dos EUA e Israel, o Irã bloqueou o transporte no Estreito de Ormuz, um ponto estratégico para o escoamento de commodities na região, por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo. Com o bloqueio, a produção do Iraque, importante exportador, caiu de 4,3 milhões para 1,3 milhão de barris diários.

O MME instalou uma sala de monitoramento do abastecimento para acompanhar diariamente as condições do mercado nacional e internacional de combustíveis, em cooperação com órgãos reguladores e os principais agentes do setor de fornecimento e distribuição. “O acompanhamento constante do cenário internacional é fundamental, pois influencia os fluxos logísticos e provoca volatilidade nos preços globais de petróleo e derivados”, explica a pasta.

Embora o Brasil exporte petróleo bruto, ele importa parte dos derivados, especialmente diesel. A participação dos países do Golfo Pérsico nesses insumos é relativamente baixa, segundo o MME.

Para o ex-presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, que deixou o cargo em maio de 2024, o mercado tende a reagir exageradamente a curto prazo diante das crises geopolíticas, incorporando um “prêmio de risco” ao preço do petróleo. Ele espera fortes oscilações nos valores.

Prates ressalta: “Se o barril realmente se mantiver ou superar a faixa de US$ 120, teremos efeitos mistos no Brasil. Positivamente, como grande produtor e exportador, o país se beneficiaria pela melhora na balança comercial, aumento da arrecadação de royalties e maior geração de caixa para empresas produtoras como a Petrobras.”

Por outro lado, ele alerta que, como o Brasil importa diesel, a pressão sobre os preços internos e os custos logísticos pode aumentar, impactando a inflação.

“Para a Petrobras, o principal desafio é gerenciar essa volatilidade. Não é viável repassar cada variação do petróleo ao consumidor, nem sustentar por muito tempo um descompasso grande, pois isso pode prejudicar o mercado de importação e criar risco no abastecimento”, explica o ex-presidente.

Ele conclui: “Uma defasagem grande e prolongada não é sustentável, pois desestimula importadores independentes, que podem deixar de trazer o produto para o país, além de transferir todos os custos do choque para a Petrobras, o que é prejudicial para a empresa e para o funcionamento do mercado.”

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