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Economia

Entenda a crise da Raízen: dívidas altas e investimentos que não deram retorno

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A Raízen, uma das maiores produtoras mundiais de açúcar e etanol, e atuante no setor de biocombustíveis no Brasil, investiu fortemente em bioenergia ampliando sua produção nos últimos anos. Contudo, a empresa enfrentou desafios como altos juros que aumentaram sua dívida, perdas na safra devido ao clima instável e incêndios, além de resultados aquém do esperado com seu investimento em etanol de segunda geração.

A situação financeira complicada da Raízen, que acumula dívida de R$ 65 bilhões, desperta preocupação no governo federal, dado que a empresa desempenha papel crucial na transição energética do país. O presidente Lula reuniu-se em fevereiro com representantes da Shell e da Cosan, principais controladoras da Raízen, além do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para discutir medidas a respeito da situação.

Fundada em 2011, a Raízen uniu a produção de açúcar e etanol da Cosan com a distribuição de combustíveis da Shell no Brasil, num negócio aprovado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em 2012. A empresa, avaliada em US$ 12 bilhões, tem seus principais sócios dividindo 44% das ações.

Atuando em várias etapas da cadeia produtiva de energia, a Raízen produz açúcar, etanol de primeira e segunda geração, bioeletricidade e biogás. Possui cerca de 9 mil postos de combustíveis Shell no Brasil, Argentina e Paraguai, emprega mais de 46 mil pessoas e cultiva aproximadamente 1,3 milhão de hectares com cana-de-açúcar.

Investimento no etanol de segunda geração

Nos últimos anos, a empresa dirigiu investimentos significativos para projetos de longo prazo, muitos financiados, com destaque para o etanol de segunda geração, produzido a partir de resíduos da cana-de-açúcar. Em 2021, inaugurou sua segunda planta deste tipo em São Paulo e anunciou a construção de mais duas unidades no estado.

Com aportes previstos em R$ 24 bilhões para instalar 20 fábricas até 2030, o investimento médio estimado era de R$ 1,2 bilhão por unidade. Entre 2021 e 2022, foram investidos R$ 3 bilhões, sendo que a segunda planta de etanol celulósico, a maior do mundo, com capacidade anual para 82 milhões de litros, foi inaugurada em 2023, custando R$ 1,2 bilhão.

Entretanto, o retorno financeiro desses investimentos tem sido mais lento do que o esperado pela Raízen, devido ao alto custo inicial e às dificuldades tecnológicas associadas, resultando em produção inferior às projeções.

Embora seja um combustível promissor que reduz emissões em cerca de 80%, a viabilidade econômica do etanol de segunda geração ainda enfrenta desafios. Paralelamente, o etanol de milho, que pode ser produzido durante o ano inteiro e tem custo mais competitivo, tem conquistado espaço e atraído investimentos.

No ano fiscal de 2021/2022, a Raízen registrou lucro líquido de R$ 3 bilhões com uma dívida considerada controlável de R$ 13,8 bilhões em relação ao fluxo de caixa gerado. Porém, nos anos seguintes, a empresa sofreu com juros elevados, queda no desempenho das operações de açúcar e etanol e margens menores, acumulando prejuízo de R$ 15,6 bilhões até o terceiro trimestre do ano fiscal 2025/2026.

Esse resultado também inclui um ajuste contábil de R$ 11 bilhões relacionado à desvalorização dos ativos da empresa. Ao mesmo tempo, sua dívida líquida subiu para R$ 65 bilhões, levando a Raízen a buscar renegociação com seus credores para tentar superar a crise atual.

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