Brasil
vereador faz discurso criticando ligação de políticos com o Comando Vermelho antes de prisão
Um dia antes de ser detido sob suspeita de negociar autorização para campanha do Comando Vermelho na comunidade da Gardênia Azul, o vereador Salvino Oliveira (PSD) proferiu um pronunciamento na Câmara Municipal do Rio.
Durante seu discurso, Salvino afirmou que “quem estiver envolvido em irregularidades deve ser punido”, criticando o suposto envolvimento de autoridades públicas com grupos criminosos, além de mencionar casos relacionados ao INSS e ao Banco Master.
Ele ainda destacou que, ao contrário do que alguns vereadores afirmaram, não há envolvimento direto da prefeitura com o crime organizado. No entanto, mencionou que secretários e ex-secretários do Governo do Estado foram presos por ligações com o Comando Vermelho.
Salvino também ressaltou que políticos, incluindo deputados do PL e representantes de extrema-direita, estão profundamente ligados a essas facções. Citou o caso do ex-secretário estadual de Administração Penitenciária, Raphael Montenegro, que permitiu a saída do criminoso de alta periculosidade Wilton Carlos Rabello Quintanilha, conhecido como Abelha, do presídio pela porta da frente.
As investigações apontam que a cúpula da pasta estadual negociou acordos em troca de influência sobre territórios controlados pelos traficantes, além da soltura irregular de presos perigosos.
Na quarta-feira, ao chegar à Cidade da Polícia já preso, o vereador Salvino Oliveira declarou que ingressou na política com o objetivo de melhorar a vida das pessoas, mas acabou envolvido em uma disputa política alheia a ele. Negou ligações com Edgard Alves Andrade (o Doca) e responsabilidade pela instalação de quiosques na Gardênia Azul.
Segundo a polícia, Salvino teria facilitado benefícios para o grupo criminoso, disfarçados de ações assistenciais na comunidade. A investigação indica que beneficiários desses serviços foram escolhidos por membros da facção, sem transparência pública.
A Polícia Civil identificou a possível conexão de Salvino com Doca ao investigar tentativas de influência política em áreas dominadas pelo tráfico, visando transformar essas regiões em bases eleitorais.
Em nota, o gabinete do vereador afirmou não ter recebido informações oficiais até o momento e que a assessoria jurídica está aguardando esclarecimentos das autoridades para entender os fatos.

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